24 de outubro de 2026
'MÍDIA CATIVA'

PF indicia prefeito de Jaú e mais 12 por corrupção eleitoral

Por Lilian Grasiela | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Facebook
Ivan Cassaro declarou, em nota, que as manifestações serão feitas dentro dos autos do processo judicial

Jaú - A Polícia Federal (PF) de Bauru concluiu inquérito instaurado para apurar suspeitas de financiamento de uma estrutura de comunicação política em Jaú (47 quilômetros de Bauru) supostamente utilizada para promover a imagem do prefeito Jorge Ivan Cassaro e divulgar conteúdo negativo contra seus adversários políticos. No relatório final, a corporação indiciou o chefe do Executivo e outras 12 pessoas por corrupção eleitoral e organização criminosa e também sugeriu que ele seja afastado cautelarmente do cargo.

As apurações relativas ao inquérito deram origem à chamada "Operação Mídia Cativa" que, em maio deste ano, resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nas cidades de Jaú, Dois Córregos (SP) e Nhandeara (SP), incluindo na residência do prefeito.

O inquérito reuniu depoimentos, comprovantes de transferências financeiras, mensagens, áudios e análises de aparelhos eletrônicos apreendidos. Para a PF, o conjunto de elementos aponta para a existência de uma estrutura de divulgação política remunerada, que teria funcionado por meio de comunicadores, páginas de notícias e outros canais de comunicação locais.

A investigação buscou esclarecer se pagamentos realizados por pessoas físicas e empresas, inclusive aquelas com relações contratuais com o poder público, intermediados por agentes políticos, teriam sido utilizados para financiar publicações favoráveis à gestão municipal e desfavoráveis à oposição.

Os beneficiados pelos pagamentos irregulares, de acordo com o relatório, seriam comunicadores e administradores de páginas digitais. Além deles e do prefeito, também foram indiciados articuladores do suposto esquema e responsáveis por disponibilizar os recursos.

No relatório, a PF aponta que haveria elementos para justificar uma representação pelo afastamento cautelar de Ivan Cassaro do cargo de prefeito de Jaú. A medida foi apresentada como forma de preservar a investigação, evitar interferências e garantir a efetividade de eventuais providências judiciais.

Com o fim das investigações, os autos seguem para apreciação e adoção das providências cabíveis. Além do indiciamento do prefeito e de outras 12 pessoas pelos crimes de corrupção eleitoral e organização criminosa, o chefe do Executivo e dois investigados foram indiciados por corrupção passiva e, outros dois, por corrupção ativa.

Respostas

Procurado pela reportagem, por meio de nota, Ivan Cassaro informou que "considerando que trata-se de um processo judicial em andamento, neste momento, todas as manifestações serão feitas dentro dos autos do processo judicial".

A PF, também por meio de nota, declarou que "não comenta informações relativas a possíveis investigações em andamento". Já a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo disse que ainda não recebeu o inquérito policial relatado deste caso.