19 de outubro de 2026
ARTIGO

Você não precisa chegar ao limite para procurar terapia.

Por Junior Ometto |
| Tempo de leitura: 3 min

Muitas pessoas passam a vida tentando dar conta de tudo e de todos, enquanto silenciam as próprias dores ou desconfortos pessoais e profissionais. Acreditam que precisam ser fortes o tempo inteiro, resolver os problemas sozinhas e seguir em frente, mesmo quando emocionalmente já não estão bem. Mas até quando?

Existe uma ideia equivocada de que precisamos chegar ao limite do sofrimento ou do problema para procurar ajuda. Como se a terapia fosse um último recurso, destinado apenas a quem já não consegue lidar com a própria vida.

A verdade é que não precisamos esperar a dor se tornar insuportável para começar a cuidar de nós mesmos.

Assim como buscamos orientação para cuidar do corpo, também podemos procurar ajuda para compreender nossas emoções, nossos comportamentos e os conflitos que influenciam nossas escolhas.

Há feridas que não aparecem no corpo, mas afetam profundamente a maneira como vivemos. Medos, inseguranças, experiências dolorosas e padrões emocionais podem interferir nos relacionamentos, na autoestima, nas decisões profissionais e até na capacidade de experimentar a felicidade.

Muitas vezes, repetimos comportamentos que nos fazem sofrer sem compreender por que agimos daquela maneira. Mudamos de relacionamento, de ambiente ou de circunstância, mas continuamos enfrentando dificuldades semelhantes. Isso acontece porque nem sempre a mudança externa é suficiente quando não compreendemos o que carregamos dentro de nós.

É nesse momento que a terapia pode abrir novas possibilidades.

Para quem nunca fez terapia, é preciso coragem para dar o primeiro passo. Reconhecer que precisamos de ajuda não é sinal de fraqueza, mas de maturidade. Para quem já iniciou esse processo, é necessária perseverança para continuar, inclusive quando surgem questionamentos difíceis e lembranças que exigem elaboração.

A terapia não oferece soluções mágicas nem elimina todas as dificuldades. Ela proporciona um espaço de escuta, reflexão e autoconhecimento, no qual podemos compreender nossa história, reconhecer padrões e desenvolver maneiras mais conscientes de lidar com as emoções e os desafios da vida.

Em meu trabalho, integro a Psicanálise à Inteligência Emocional e à Neurociência para ajudar pessoas a compreenderem suas emoções, ressignificarem experiências e construírem formas mais saudáveis de viver e se relacionar.

Ao longo de 13 anos de atendimento clínico, tive o privilégio de acompanhar milhares de vidas em processos de transformação. Essa experiência reforça uma convicção: compreender a si mesmo pode ser um passo importante para interromper ciclos de sofrimento e construir novas possibilidades.

Isso não significa mudar quem somos para atender às expectativas dos outros, mas desenvolver consciência para fazer escolhas mais alinhadas aos nossos valores e às nossas necessidades.

Meu convite é simples: não espere perder o sono, comprometer seus relacionamentos, seu trabalho, seu futuro, sua saúde ou sentir que não consegue mais suportar a pressão para procurar ajuda. Você não precisa provar sua força suportando tudo sozinho.

Cuidar da saúde emocional também é prevenção. É reconhecer que nossas dores merecem atenção antes que ocupem todos os espaços da nossa vida.

Você não pode mudar tudo o que viveu, mas pode buscar compreender sua história e construir uma relação diferente consigo mesmo e com o mundo.

A terapia não precisa começar no seu pior momento. Pode começar quando você decide que merece viver melhor.