O mundo, desde milênios antes de Cristo, sempre apoiou e torceu para que cada descoberta fosse substituída por outras. E, nesse contexto, a ciência sempre foi a bússola da humanidade.
Credos, religiões, costumes, políticas, cultura sempre foram a base do nosso ecossistema, aqui entendido na sua concepção mais moderna.
As principais e as maiores invenções da humanidade sempre foram protagonistas de cada época, tais como o domínio do fogo, a criação da roda, da escrita, da pólvora, da bússola, do macarrão, da imprensa, do automóvel, o desenrolar da revolução industrial, da eletricidade, da pilha, da fotografia, da geladeira, do elevador, do telefone, da lâmpada, da televisão, do rádio, do cinema, do ar-condicionado, do avião, do computador (1820), da internet, da IA e da carroça!
Não dá para voltar à vida de antes das grandes invenções tecnológicas, a não ser por meio da história. A vida tinha como base a sobrevivência no dia a dia, no esforço físico, submetido diretamente à natureza.
Essa sobrevivência dependia da caça e a economia era estritamente doméstica. A alimentação produzida tinha de ser consumida na hora, pois não havia como armazená-la com garantia de qualidade.
O que separava o dia da noite era a fogueira.
A doença não permitia que se vivesse uma vida longa, até a higiene pessoal dependia da natureza circundante.
A comunicação, o conhecimento, a informação viajavam num ritmo muito lento, a história era passada de pai para filho, boca a boca.
Voltemos ao futuro. É impossível voltar ao futuro?
Li, há dias, no jornal Folha de São Paulo, a matéria sobre a possibilidade da IA destruir a humanidade ainda nesta década. Vamos a ela, à matéria.
Um pesquisador da Anthropic pediu demissão do Laboratório de Inteligência Artificial e alertou que a corrida desenfreada para desenvolver uma superinteligência capaz de se aprimorar sozinha pode destruir a humanidade até o fim desta década.
Jacob Coxon, britânico de 27 anos, havia deixado a OpenAI para entrar em sua principal concorrente, dizendo que as duas empresas estão “apostando” com o futuro da humanidade.
“As pessoas que desenvolvem IA acreditam sinceramente que ela pode matar todos nós até o fim da década”, comentou Coxon em uma série de publicações no X (antigo twitter) nas quais anunciou sua demissão da Anthropic.
Coxon é o mais recente funcionário a deixar um dos principais laboratórios de IA dos EUA, alegando preocupações com a segurança, o que evidencia a crescente apreensão dos pesquisadores em relação ao poder dos sistemas que estão desenvolvendo.
A Anthropic se prepara para um IPO (oferta pública inicial) sustentada pela sua marca que pode avaliar a empresa em Um trilhão de dólares.
Evan Hubinner, um dos colegas de Coxon na Antrhropic, endossou seu alerta, dizendo: “Jacob está correto”.
Hubinner, no entanto, pondera, afirmando que o “risco dos modelos atuais de IA é baixo”, mas que está preocupado com modelos de IA capazes de se aprimorarem sozinhos, algo que está acontecendo mais rápido do que imaginamos.
Incidentes recentes, como a invasão do site Hugging Face por agentes do Chat GPT, mostraram que esses modelos podem sair do controle humano e que a solução seria desacelerar o desenvolvimento, afirmou Coxon.
A IA nos dará tempo?
A saída de Coxon foi noticiada primeiro pelo jornal The Wall Street Journal. A Anthropic não quis comentar e a OpenAI não respondeu de imediato aos pedidos por comentários.
Parece que estamos preocupados a tal ponto de torcemos para que a IA, a mais recente criação da humanidade por meio de poucos homens, sendo que, efetivamente, o mundo, a rigor, não participa desses eventos, não dê certo.
A selva digital e tecnológica não oferece a trilha da segurança pela qual a humanidade tanto anseia. Não há encurtamento nesse pântano, que de molhado, só o gel da pandemia.
OpenAI, Anthropic e Google discutem criar órgãos para o controle da IA. Trabalham na criação de um órgão de supervisão dos riscos relacionados à Inteligência Artificial.
Os últimos acontecimentos relacionados à insubordinação das IA estão gerando todas essas preocupações.
Prof. Oswaldo Fernandes foi secretário de Educação de Jundiaí