A gente olha no espelho e percebe um cabelo branco, uma ruga nova, talvez alguma mudança no corpo. Para a maioria das pessoas pode acontecer assim. Mas existe uma parte de nós que também envelhece e não aparece no espelho: os ossos. E eles estão vivos.
O osso não é uma pedra dentro do corpo. Todos os dias, pequenas partes dele são retiradas e reconstruídas. É como uma casa que passa a vida inteira em reforma. O problema é que, com o passar dos anos, podemos começar a perder mais osso do que conseguimos construir.
Nas mulheres isso merece ainda mais atenção. A maior quantidade de massa óssea costuma ser alcançada entre os 20 e 30 anos. Depois, especialmente perto da menopausa, a queda do estrogênio acelera a perda. Nos cinco a sete anos depois da menopausa, uma mulher pode perder, em média, cerca de 10% da densidade óssea.
E há um detalhe cruel: normalmente não dói.
A osteoporose é chamada de doença silenciosa justamente porque muitas pessoas descobrem que seus ossos estavam frágeis somente depois de uma fratura. O exame chamado DEXA mede a densidade dos ossos, principalmente do quadril e da coluna, e ajuda a identificar osteopenia e osteoporose.
Mas será que toda mulher deveria fazer esse exame aos 40 anos?
Ainda não há evidência suficiente para dizer isso. Para mulheres mais jovens e sem fatores de risco, grandes organizações médicas não recomendam o DEXA como exame de rotina. Mulheres após a menopausa com fatores de risco, porém, podem precisar discutir uma avaliação mais precoce com o médico.
Agora vem a parte que mais me interessa como profissional de Educação Física.O músculo puxa o osso. E o osso percebe.Quando fazemos musculação, saltamos, corremos ou realizamos exercícios em que o corpo precisa vencer a gravidade, damos ao esqueleto um motivo para continuar forte.
Um estudo chamado LIFTMOR, publicado no Journal of Bone and Mineral Research, acompanhou 101 mulheres na pós-menopausa com baixa massa óssea. Durante oito meses, parte delas realizou apenas duas sessões semanais de 30 minutos de treinamento de força e impacto, com cargas altas e supervisão. A densidade óssea da coluna aumentou em média 2,9%, enquanto no grupo que fez exercícios leves em casa houve redução de 1,2%. A força e a capacidade física também melhoraram.
Isso não significa que uma pessoa com osteoporose deva entrar na academia amanhã e levantar o máximo de peso possível. O próprio estudo utilizou treinamento cuidadosamente planejado e supervisionado. Mas significa outra coisa.
Os ossos precisam ser desafiados.
E quanto antes começarmos, melhor. Alimentação adequada, cálcio, vitamina D, não fumar, evitar excesso de álcool e fazer exercícios que fortaleçam músculos e ossos ajudam a construir essa proteção.
Talvez você nunca consiga enxergar seus ossos no espelho.