09 de setembro de 2026
ARTIGO

Liberdade tem seu preço

Por Edson Rontani Junior |
| Tempo de leitura: 3 min

A liberdade tem seu preço, disse alguém. Daí o jovem pergunta, mas independência não é no 4 de julho? Cria-se uma aberração histórica numa época em que existe uma propagação do deadline, browser, offline e outros anglicanismos que tomaram conta de nossa cultura nos últimos anos. Ninguém mais é estraga prazeres, já que a onda é agora é dar spoiler. É a mesma coisa. 

Canta-se o Hino Nacional no dia de nossa independência diante do reino de Portugal? Não deveria, já que a data tem hino apropriado, ou seja, o Hino da Independência, aquele que marotamente entoávamos na escola como sendo “Japonês tem quatro filhos” e cada filho rimava com algo que ia do absurdo até ao mais ingênuo como primeiro que era pasteleiro.

Bom. Até aí acabaram com a letra de Evaristo da Veiga que colocou com coautor Dom Pedro I, imperador do Brasil em 1822 quando ocorre a Independência brasileira. Se tinha dom (no bom sentido) para a música, Pedro I nunca deixou isso evidente. Nem Laurentino Gomes mata esta charada.

Lembro-me, lá pelos idos da primeira metade da década de 1970, que éramos obrigados a ficar em pé e cantar um hino cívico toda sexta-feira, antes da aula começar. Isso ocorria na Escola Estadual Barão do Rio Branco, assim como era praxe em tantas outras escolas. Época em que a cara fechada da inspetora de aluno já nos deixava arrepiados pela bronca que poderia vir. Depois, gostoso foi ir a faculdade, no meu caso Unimep campus Centro, e sair no meio da aula sem dar satisfação ou ter que explicar para um inspetor o que um aluno fazia zanzando pelos corredores. Claro que a ideia era ir na Governador aberta às vésperas de datas como o dia das mães ou dia dos namorados. Mas, como escrito anteriormente, a liberdade tem seu preço.

Preço caro para o inconfidente Tiradentes que queria exatamente o que Pedro I fez: queremos a independência ou então que venha a morte! Joaquim José da Silva Xavier foi o bode expiatório que Maria “A Louca” encontrou para suprimir insurreições e manter Portugal no comando do universo ultramarino, especialmente em terras brasileiras. Terra abundante de ouro e materiais que interessavam à coroa portuguesa. Melhor consumir a famosa bagaceira que a cachaça. Ponha-se, então, na cadeia os fabricantes deste derivado da cana de açúcar que quer concorrer com o vinho português e aquilo que pouco conhecemos denominado de bagaceira, aguardente feita de uva. Confesso que comprei uma garrafa desta bebida em São Pedro. Não consegui consumi-la, sendo que seu conteúdo somente serviu para acender o carvão de uma churrasqueira na qual estava uma suculenta picanha.

Piracicaba deixou pouca história de como se encontrava em 1822. Existem fatos. Existem nomes, assim como muitas e muitas pessoas que caíram no esquecimento. Mesmo com 3 mil habitantes, ainda era um vilarejo tomado pelo mato, onde a sociedade acordava com as galinhas e dormia com o escurecer, sem se preocupar com um relógio que lhe ditasse regras.

Cem anos depois surgem festividades para comemorar o centenário do brado de Pedro I às margens do Ipiranga. Lydia Rezende cria o Monumento da Independência que deu nome ao bairro situado na Vila Rezende. A avenida Independência tem seu desenho feito na topografia de Piracicaba. Deve ser um dos maiores logradouros da cidade, começando na rua Governador e terminando em frente a Esalq. Honorato Faustino enclausura uma cápsula do tempo na escola Sud Menucci com mensagens e memórias que deveriam ser lidas cem anos depois, ou seja, 2022. 

Chegamos em 2026 comemorando-se o Dia da Independência numa emenda ao final de semana. Esse é mais um preço da liberdade.