Um dos peixes mais tradicionais da culinária brasileira poderá enfrentar restrições à pesca nos próximos meses. O tambaqui, espécie amplamente encontrada na Amazônia e muito consumida em diversas regiões do país, passou a integrar a lista nacional de espécies ameaçadas de extinção, o que pode resultar em medidas mais rígidas para sua conservação.
A inclusão da espécie na relação publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima não significa que a captura esteja proibida neste momento. Antes de qualquer decisão, o governo federal determinou a elaboração de um plano voltado à recuperação das populações naturais do peixe.
O documento deverá ser apresentado dentro do prazo estabelecido pela Portaria nº 1.666. Caso as ações não sejam concluídas e aprovadas até o fim desse período, a pesca do tambaqui poderá ser suspensa em todo o território nacional.
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A decisão foi baseada em estudos conduzidos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE). As análises classificaram o tambaqui na categoria "Vulnerável", utilizada para espécies que apresentam elevado risco de declínio populacional.
Segundo os levantamentos, a população do peixe pode ter sofrido uma redução estimada de 43,4% ao longo de três gerações. Entre os fatores apontados estão a intensa exploração pesqueira registrada nas últimas décadas e outros impactos ambientais que afetam os rios amazônicos.
Os pesquisadores também destacam que ainda existem lacunas sobre a influência da aquicultura na conservação da espécie, já que faltam informações suficientes para medir seus efeitos sobre as populações selvagens.
A inclusão do tambaqui na lista de espécies ameaçadas provocou reação entre pescadores e especialistas ligados ao setor. Eles defendem uma reavaliação dos critérios utilizados, argumentando que os dados disponíveis não representam toda a distribuição da espécie na Amazônia.
Segundo esse grupo, as estatísticas consideradas nos estudos concentram-se principalmente em áreas abertas à pesca, enquanto há pouca informação consolidada sobre unidades de conservação e territórios indígenas, onde também existem populações significativas do peixe.
Enquanto o debate continua, o governo federal terá até 25 de outubro para concluir a análise do plano de recuperação. O resultado desse processo será decisivo para definir se a pesca do tambaqui continuará autorizada ou se passará a sofrer restrições em todo o Brasil.