03 de agosto de 2026
ARTIGO

'Não se acostume com o que te faz mal': a solução pela ciência!

Por Junior Ometto |
| Tempo de leitura: 3 min

Por que muitas vezes não conseguimos sair de situações que não nos fazem bem? Por que não damos valor ao que temos? Ou só damos quando perdemos?  

Talvez você não esteja bem: procrastinação, problemas de saúde, financeiros ou de relacionamento, solidão, depressão, ansiedade, mágoa, descontrole, frustração, arrependimento, enfim, parece que a vida não está gostando de você... Você sabe que tem potencial, mas não consegue foco ou energia para virar o jogo. Pois bem, vamos entender melhor tudo isso, de acordo com a ciência. 

Uma das grandes descobertas da neurociência é a capacidade que só o ser humano tem de se adaptar, com o tempo, a uma situação positiva ou negativa. Prova disso é que, ao nos depararmos com situações negativas, até ficamos desmotivados, mas aceitamos, nos adaptamos e, então, lutamos para mudar aquilo. Quantas vezes isso já aconteceu com você em sua vida, não é? Pois bem, o núcleo do nosso tema de hoje é que, em algumas vezes, ocorre uma falha nesse processamento, e, então, caímos numa espécie de armadilha, ou seja, “estacionamos” em algum extremo; em alguma situação “ruim” ou “boa”.  

O fato é que não mudamos o que não conhecemos. O ser humano está se superando em tecnologia, em conhecimento, mas, em contrapartida, não se conhece, não conhece o funcionamento do próprio cérebro e é por essas e outras que está cada vez mais “refém” da própria mente, ao invés de protagonizar sua vida. 

Por que existem pessoas tão motivadas ou de sucesso e pessoas tão desmotivadas ou fracassadas? Em nosso cérebro, existem os chamados sistemas de recompensa, ou, mais tecnicamente falando, as vias córtico mesolímbicas dopaminérgicas, ou seja, é a dopamina (neurotransmissor responsável por levar informações do cérebro para as várias partes do corpo), que regula uma série de funções ligadas (também) à motivação, energia, ao desejo de realizar objetivos, à capacidade de resiliência e atitude, enfim, uma série de funções ligadas ao nosso tema de hoje. Infelizmente, a dopamina não é muito bem conhecida em toda sua abrangência e importância, por isso, sugiro ao meu leitor que busque conhecimento sobre isso, o que não será possível fazer apenas num artigo, como o de hoje. 

O que gostaria de ressaltar aqui sobre a dopamina são seus picos, ou seja, podemos receber (por vários motivos), um aumento na dopamina, porém, após esse “pico”, há uma queda, com o agravante que ficamos abaixo da média que tínhamos anteriormente... Com isso, nosso cérebro precisa se adaptar através de uma diminuição dos receptores, fazendo com que os efeitos da dopamina diminuam gradativamente. Consequência: o prazer e a motivação caem na mesma proporção em que vamos “aceitando” nossa vida como está e não nos empenhamos para inverter essa situação com atitudes que nos tirem dessa chamada “zona de conforto”, na maioria das vezes autossabotadora emocionalmente. Alguns dos exemplos: se temos uma vida sedentária, nos alimentamos ou dormimos mal, não buscamos relacionamentos saudáveis ou nos desfocamos do nosso sentido e propósito, é claro que a vida não vai “gostar de nós”. Mas o problema não está com a vida. Está conosco! O que não nos desafia, não nos transforma! 

Para mudar realmente algo na sua vida, seja na área que for, é fundamental que os desconfortos sejam gerenciados e, então, enfrentados da maneira correta, mas, para isso, é preciso ser protagonista da sua mente, da sua vida. Claro que isso não é fácil, porém, com empenho e dedicação, totalmente possível! Se há dificuldades, busque ajuda. Isso é nobre e sábio.