01 de agosto de 2026
INDÚSTRIA FORTE

Indústria de Piracicaba busca competitividade e diálogo

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Ao completar 259 anos, Piracicaba tem na indústria um dos principais motores de sua economia.

Ao completar 259 anos, Piracicaba tem na indústria um dos principais motores de sua economia. O setor metalmecânico, formado por empresas de diferentes portes e segmentos, enfrenta desafios que vão do aumento da concorrência internacional às dificuldades de acesso a crédito, qualificação profissional e infraestrutura. Para o presidente do Simespi (sindicato patronal das indústrias metalmecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras), Paulo Estevam Camargo, superar esse cenário exige uma atuação coordenada entre o setor produtivo e os poderes constituídos, em especial Executivo e Legislativo em suas várias esferas.

Um dos problemas mais urgentes é o impacto do tarifaço de 37,5% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros no final de julho. Para empresas da região que exportam máquinas, equipamentos e componentes, a medida representa perda de competitividade e risco de redução de negócios. Na avaliação de Camargo, o governo federal deve ampliar a diplomacia comercial e buscar negociações que reduzam as tarifas, além de criar mecanismos de apoio às empresas afetadas. O Congresso Nacional, por sua vez, pode contribuir com medidas que estimulem as exportações e fortaleçam a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.

Outro desafio é o chamado custo Brasil, que reduz a capacidade de investimento das empresas e dificulta a concorrência com outros países. Nesse campo, a indústria espera avanços na regulamentação da reforma tributária, simplificação de processos e maior segurança jurídica. Para o presidente do Simespi, o Legislativo federal tem papel importante na construção de um ambiente mais favorável à produção e aos investimentos, enquanto o Executivo deve garantir que as mudanças resultem, de fato, em redução da burocracia e maior eficiência para as empresas.

A infraestrutura também é apontada como fator decisivo para a competitividade regional. Custos logísticos elevados e a necessidade de melhorias na integração entre rodovias, ferrovias e outros modais impactam diretamente a indústria. “Por isso, a expectativa é de que os governos federal e estadual ampliem os investimentos em infraestrutura e logística, criando melhores condições para o escoamento da produção e para a atração de novos investimentos para Piracicaba e região”, destaca.

A qualificação profissional é outro ponto de atenção. A rápida transformação tecnológica da indústria aumenta a demanda por profissionais preparados para novas funções e processos produtivos. Nesse aspecto, Camargo defende uma aproximação ainda maior entre empresas, escolas técnicas, universidades e instituições como o Senai, com apoio do governo estadual, para ampliar a oferta de cursos alinhados às necessidades reais do mercado de trabalho.

Para Camargo, esses temas precisam estar presentes na agenda dos governos e dos parlamentares, especialmente diante das eleições deste ano, quando serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. “O setor produtivo precisa ser ouvido na formulação das políticas públicas. Temos desafios concretos e precisamos de respostas objetivas. O governo federal pode atuar na política comercial, tributária e de crédito; o governo estadual, na infraestrutura e na qualificação profissional; e os Legislativos, na construção de um ambiente regulatório mais simples e seguro”, afirma.

O presidente do Simespi ressalta que a entidade mantém canais de diálogo com as diferentes esferas do poder público justamente para apresentar essas demandas e buscar soluções. A estratégia, segundo ele, é manter uma atuação institucional permanente, independentemente de posições partidárias. “Nosso compromisso é defender os interesses da indústria e contribuir para o desenvolvimento de Piracicaba e da região. Precisamos manter diálogo com todos os setores do poder público e trabalhar para que as decisões tomadas em Brasília e São Paulo considerem também a realidade de quem produz, investe e gera empregos no interior”, destaca.

Apesar dos desafios, Paulo avalia que Piracicaba reúne condições para ampliar sua participação industrial. A presença de empresas consolidadas, uma cadeia metalmecânica diversificada e a capacidade de inovação são ativos importantes. Para transformar esse potencial em novos investimentos e empregos, porém, será necessário avançar em competitividade, infraestrutura, qualificação e abertura de mercados. “Aos 259 anos, Piracicaba segue com o desafio de fortalecer sua economia e preparar a indústria para um cenário cada vez mais competitivo. Para o Simespi, a construção desse futuro passa pela união de esforços entre empresas, entidades representativas e poder público”, conclui o dirigente.