19 de junho de 2026
ARTIGO

O descaso da prefeitura com professores e o funcionalismo

Por Erica Gorga |
| Tempo de leitura: 3 min

Até bem pouco tempo atrás, professores e servidores das escolas municipais de Piracicaba podiam comer a merenda escolar juntamente com os alunos. O compartilhamento do espaço de refeição é pedagogicamente salutar para as crianças. Os professores podiam educá-las no aspecto nutricional, auxiliando e ensinando os pequenos a se alimentarem bem.

Também há questões afetivas e emocionais envolvidas na convivência durante a refeição escolar. Professores e alunos vivenciam respeito e descontração que auxiliarão na adaptação, integração, ensino e convivência na comunidade escolar, para que as crianças desenvolvam suas plenas capacidades.

Porém, a atual gestão da prefeitura e da vice-prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação, com a bênção da Câmara dos Vereadores, proíbe que professores e alunos partilhem a merenda escolar. É isso mesmo! O atual prefeito e o vice-prefeito empenharam-se em aprovar projeto de aumento generalizado do IPTU e da taxa de lixo, cobrando aumentos significativos de impostos dos piracicabanos, ou seja, a arrecadação municipal subiu expressivamente, mas permanece a mesquinharia da gestão atual impedindo que os professores comam um prato de sopa com os alunos durante sua jornada de trabalho nas escolas municipais.

 Não é este o único problema da merenda escolar. A cozinha das escolas está sendo totalmente terceirizada. As merendeiras, antes concursadas da prefeitura, agora estão sendo terceirizadas, por meio de contratação precária e rotativa, de modo a não se fixarem nas escolas.  Com o troca-troca de funcionários da empresa terceirizada, a merenda das crianças cai de qualidade, ficando ainda mais cara para os piracicabanos pagarem através dos impostos que lhes são cobrados. O desperdício é absurdo, pois a merenda é frequentemente jogada fora, sem que os professores possam comê-la.  

As trocas das empresas terceirizadas pela atual gestão da prefeitura e vice-prefeitura já abrangem um sem número de serviços. Há reclamações por parte dos professores e servidores municipais de que houve redução de materiais básicos de higiene nas escolas, por conta da mudança da empresa terceirizada. O papel-toalha distribuído nas escolas é de péssima qualidade e houve redução até da quantidade de pasta dental.

O pagador de impostos piracicabano tem o direito de saber detalhadamente quais as razões que estão levando o prefeito e o vice a substituírem ao mesmo tempo diversas  empresas terceirizadas na prestação de serviços para nossa Piracicaba. Por que seria?

Mas não é só na merenda e nas empresas terceirizadas que a prefeitura e a vice-prefeitura estão promovendo graves substituições. A rede municipal agora está adotando contratação precária de professores “substitutos”, estratagema questionável que impede a efetivação dos professores aprovados em concurso, que esperam por sua convocação para posse. Ademais, os professores municipais não dispõem de plano de carreira, apesar das promessas vazias de campanha dos eleitos para a atual gestão.

O descaso para com os servidores municipais piracicabanos não para por aí. O prefeito e o vice-prefeito também conseguiram aprovar o corte das cestas básicas de todos os funcionários municipais aposentados, incluindo as dos professores municipais.

      Por fim, o prefeito e o vice-prefeito querem aprovar reforma previdenciária draconiana do IPASP, com parâmetros muito piores que os estabelecidos pela legislação federal, de modo a prejudicar sobremaneira o funcionalismo piracicabano. Muitas propostas da nova reforma são absolutamente ilegais e inconstitucionais.

Infelizmente, não há dúvida de que a prefeitura e a vice-prefeitura estão tratando professores e servidores piracicabanos como se fossem cidadãos de segunda classe.