15 de junho de 2026
ARTIGO

Aos 93 anos, ela corre contra o tempo

Por Rogério Cardoso |
| Tempo de leitura: 2 min

Há histórias que não pedem aplausos. Pedem silêncio. Aquele silêncio bonito de quem percebe que está diante de algo maior do que uma medalha, um recorde ou uma manchete.

Emma Maria Mazzenga tem 93 anos e corre. Mas não corre como quem foge da idade. Corre como quem conversa com ela. Como quem diz ao corpo: “eu sei que você mudou, mas ainda estamos aqui”. E talvez seja exatamente isso que mais impressione na sua história.

Ela não é apenas uma senhora italiana veloz. É uma espécie de pergunta viva para a ciência. Como alguém nessa idade ainda consegue competir, treinar, acelerar, recuperar, respirar fundo e seguir? O que existe nesse corpo que o tempo não conseguiu apagar?

Pesquisadores começaram a estudar seus músculos, sua capacidade cardiorrespiratória, suas fibras musculares e até suas mitocôndrias, essas pequenas usinas de energia que vivem dentro das células. E os achados são quase poéticos: em alguns aspectos, o organismo de Emma se parece com o de pessoas muito mais jovens. Não porque ela tenha escapado do envelhecimento, mas porque talvez tenha envelhecido em movimento.

E aqui mora a grande lição. E eu caro leitor, adoro trazer histórias de pessoas reais para conhecermos e por que não, nos espelharmos?

Durante muito tempo, vendemos a ideia de que envelhecer é perder. Perder força, perder velocidade, perder autonomia, perder coragem. Mas Emma parece nos lembrar que o corpo não é um objeto que se abandona com o passar dos anos. Ele é uma casa. E uma casa habitada, cuidada e visitada todos os dias demora muito mais para ruir.

Isso não significa romantizar a idade. Emma também perdeu massa muscular. Também apresenta sinais naturais do tempo. A ciência não está dizendo que correr impede o envelhecimento. Está dizendo algo ainda mais importante: o exercício pode mudar a forma como envelhecemos.

Um estudo publicado na revista Nature Communications, com o título “Impact of aging and exercise on skeletal muscle mitochondrial capacity, energy metabolism, and physical function”, mostrou que o treinamento físico regular em pessoas mais velhas pode proteger parcialmente contra quedas na função mitocondrial, na capacidade aeróbica e na função muscular. Em outras palavras: movimento não é apenas gasto calórico. É uma mensagem biológica enviada ao corpo dizendo: continue vivo, continue eficiente, continue respondendo.

Emma treina poucas vezes por semana. Caminha. Corre tiros. Respeita limites. Não vive de exageros, mas de constância. E talvez esse seja o segredo que tanta gente procura em cápsulas, promessas e atalhos: fazer o simples, por muitos anos, com amor suficiente para não desistir.

Aos 93 anos, ela não está provando que todos precisam virar atletas. Está provando algo mais profundo: o corpo escuta aquilo que fazemos repetidamente com ele. E já cenho falando sobre isso. Constância!

E, no fim, talvez a juventude não seja exatamente uma idade. Talvez seja uma negociação diária entre o tempo e o desejo de continuar participando da vida.

Emma corre porque ainda quer estar no mundo por inteiro.

E isso, mais do que velocidade, é saúde. Até a próxima!