O debate sobre o futuro do trabalho costuma girar em torno da tecnologia. Inteligência artificial, automação, plataformas digitais, novas profissões. Tudo isso é importante. Mas existe um ponto que muitas vezes fica de fora dessa conversa: a necessidade de prepararmos os jovens não apenas para procurar empregos, mas também para criar oportunidades.
Durante muito tempo, o caminho considerado ideal era simples: estudar, conseguir um emprego estável e permanecer nele por décadas. Essa lógica fez sentido para outras gerações, em outro momento econômico e social. O problema é que o mundo mudou, e a juventude percebeu isso antes de todos nós.
O jovem de hoje não pensa mais o trabalho da mesma forma. Ele quer flexibilidade, autonomia, criatividade e propósito. Quer transformar conhecimento em renda. Quer usar a internet para empreender, vender, produzir conteúdo, desenvolver serviços, abrir pequenos negócios ou trabalhar de maneira independente. E isso não é falta de compromisso, como alguns ainda insistem em dizer. É adaptação a uma nova realidade.
O empreendedorismo deixou de ser apenas uma alternativa para quem não conseguiu emprego. Em muitos casos, ele já é o próprio emprego do futuro.
Existe uma questão social importante nessa discussão: em muitas cidades, especialmente no interior, os jovens já perceberam que depender exclusivamente dos modelos tradicionais de contratação pode significar anos de frustração e poucas perspectivas de crescimento. Quando um jovem aprende a empreender, ele não movimenta apenas a própria vida. Ele movimenta a economia local, cria soluções para sua comunidade, gera renda e, muitas vezes, abre portas para outras pessoas também. Incentivar o empreendedorismo é, portanto, investir em desenvolvimento econômico, mas também em independência, autoestima e protagonismo para uma geração que quer participar mais ativamente da construção do próprio futuro.
Por isso, precisamos discutir seriamente como a educação pode acompanhar essa transformação. Ainda ensinamos muitos jovens a decorar conteúdos, mas pouco falamos sobre gestão, inovação, comunicação, tecnologia aplicada ou educação financeira. Pouco ensinamos sobre como tirar uma ideia do papel, como administrar um negócio ou como transformar talento em oportunidade.
Empreender não significa apenas abrir uma empresa. Significa desenvolver iniciativa, responsabilidade, visão e capacidade de resolver problemas. São habilidades que serão exigidas em qualquer profissão daqui para frente.
São Paulo, como maior estado do país, precisa liderar esse movimento. Temos universidades, centros tecnológicos, indústria forte, comércio ativo e uma juventude conectada com o mundo. Falta aproximar essa nova geração das ferramentas certas.
Isso passa por incentivar cursos técnicos modernos, apoiar startups, fortalecer programas de capacitação e criar ambientes onde o jovem consiga experimentar, errar, aprender e inovar sem ser tratado como alguém “sem experiência”. Porque experiência também se constrói.
Precisamos parar de preparar jovens apenas para disputar vagas que talvez nem existam no futuro. O desafio agora é formar pessoas capazes de criar soluções, gerar renda e acompanhar um mercado em constante mudança.
O empreendedorismo jovem não pode ser visto como moda passageira. Ele é parte da transformação econômica que já está acontecendo diante dos nossos olhos.
E quanto antes entendermos isso, mais preparados estaremos para construir um estado mais moderno, competitivo e cheio de oportunidades para a próxima geração.
Alex Madureira é Deputado Estadual na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.