30 de maio de 2026
MEMÓRIA

Conheça a história do prédio histórico de 94 anos

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
JP
O local ficou abandonado por mais de 30 anos, antes de ser revitalizado

O grupo escolar que começou a abrigar desde a semana passada a Escola Municipal Kazue Otsubo (Kazé) guarda grandes histórias do passado da região de Ártemis. Tombado pelo Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural), o prédio preserva as memórias de uma Piracicaba que, na década de 1930, iniciava seu processo de amplo desenvolvimento.

O local ficou abandonado por mais de 30 anos, antes de ser revitalizado e ampliado pela Prefeitura de Piracicaba. A unidade passou a atender a Educação Infantil, ampliando a oferta em 280 vagas nos períodos da manhã e da tarde. A obra recebeu investimento de R$ 5 milhões.

O nome original era Escola Reunidas Mista de Masculina de João Alfredo e iniciou suas atividades no dia 15 de março de 1932, ou seja, há mais de 94 anos. Não existem registros de quantos alunos havia na época, mas há indicações de historiadores da região de que haveria em torno de 40 alunos.

A escola era pequena e oferecia na época o equivalente ao primeiro ciclo do atual ensino fundamental. Tinha cinco salas, para o primeiro, o segundo, o terceiro e quarto ano. E uma quinta sala seria da diretoria ou para os professores desenvolver os trabalhos administrativos.

As atividades naquele local seguiram até 25 de abril de 1939, contudo, as estruturas começam a se tornar precárias e a escola teve suas atividades prejudicadas. Contudo, as aulas continuaram em um galpão da antiga estação ferroviária ali instalada até meados dos anos de 1960.

Em 15 de dezembro de 1964, as aulas retomaram, mas em outro local, através da generosidade da família Cenedese, que doou um terreno ao qual o grupo escolar passou a ser chamado Grupo Escolar de Ártemis, conhecido pela população como “Grupão”. A instituição de ensino teve esse até 1970 e, a partir de 1971, passou a ser chamada José Martins de Toledo.

“Mas é a mesma escola lá de 1932”, disse o professor William Rodrigues da Silva, 42 anos, autor do livro sobre os 50 da escola José Martins de Toledo. “Ali é um local de ideologias e memórias sem igual. Só modificaram o local e os nomes, mas a essência e o trabalho escolar são a mesma coisa”, completa o professor.

“A importância de retomar o projeto em revitalizar a escola é de suma importância, pois, faremos uma anamnese do passado, anamnese dos bons momentos vividos com amor e dificuldades para aquele velho e conhecido povo do Porto João Alfredo. Revitalizar é rememorar uma geração que estudou ali e hoje tem apenas nas lembranças o tempo bom que não volta mais.

INVESTIMENTO
A nova escola municipal possui área total de 1.110 metros quadrados, distribuída em três blocos. O espaço conta com setor administrativo, área de serviços e refeitório, além de um bloco destinado ao ensino, com sete salas de aula.

O investimento também contemplou a implantação de sistemas de climatização, acessibilidade, prevenção e combate a incêndios, além de monitoramento 24 horas com alarme. Na área externa, os alunos terão playground e espaço de lazer.

Por se tratar de um imóvel tombado pelo Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural), a obra foi executada respeitando as normas de preservação patrimonial, conciliando a recuperação da estrutura histórica com as adaptações necessárias para o funcionamento da unidade escolar.