Em uma época em que tanto se fala em violência contra a mulher, o esporte, principalmente os de luta, se tornou um grande aliado quando se fala em autodefesa. Nos últimos anos, as academias de artes marciais da cidade têm recebido uma maior quantidade de meninas, adolescentes e jovens em busca de, além da saúde e do corpo perfeito, ensinamentos sobre defesa pessoal.
Não é para menos, pois os números da violência assustam. Somente em Piracicaba, a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) realiza cerca de 60 atendimentos diários de queixas de agressões física e psicológica contra as mulheres na cidade - entre elaboração de boletim de ocorrência, pedidos de medida protetiva, depoimentos em inquérito policial e apurações de denúncias anônimas, entre outros.
“Hoje, infelizmente, com número alto de feminicídios, o esporte é uma excelente ferramenta para qualquer mulher, principalmente aquelas que saem de suas residências todos os dias para trabalhar ou praticar outra atividade física, como eu, que corro muitas vezes em período noturno ou de madrugada”, contou a funcionária pública Eliane Bandeira Fernandes Santos, 34 anos.
Eliane, que treina boxe chinês, muay thai e kickboxing há cerca de 9 anos, sabe que nos dias atuais todo aprendizado é bem-vindo para conter a violência, seja de ordem preventiva ou ostensiva. “Mas graças a Deus nunca precisei usar”, pondera a funcionária pública, que também participa regularmente de competições defendendo Piracicaba e sua academia, o CT Marcelo Rodrigues.
No caso da estudante Heloísa Oliveira Rodrigues, de 15 anos, o incentivo pelo esporte veio de casa. Praticante de boxe chinês, muay thai e kickboxing há mais de 10 anos, Heloísa é treinada pelo próprio pai, Marcelo Rodrigues. Ela desde cedo aprendeu a importância da autodefesa: “Como atleta e mulher aconselho a todas a prática a arte marcial para sua própria autoconfiança”, declara.
Pesquisa realizada neste ano revelou que, no Brasil, seis em cada dez mulheres praticam ou desejam iniciar artes marciais ou treinos de defesa pessoal. A busca é impulsionada pela segurança e autonomia, com 58% buscando as modalidades de artes marciais para se protegerem e 42,8% relatando maior sensação de segurança ao usar o transporte público.
OUTROS FATORES
Além da proteção pessoal, outros fatores fazem com que as mulheres optem pelo esporte de lutas. A busca pela autoconfiança, melhoria da qualidade de vida, disciplina e o alto controle de si mesmo são alguns fatores apontados por elas. “A redução da ansiedade, resistência física, melhora da coordenação motora são outros principais benefícios”, acrescenta Eliane.
O professor Daniel Ferreira da Cruz, da academia Monsters Fitnes, disse que as mulheres têm procurado a academia em busca do “corpo perfeito” e a modalidade funcional “Fight” (que foca no condicionamento e na queima calórica) vem sendo muito procurada por elas. “É um treino funcional misturado com golpes e, pela dinâmica ser diferente, tem sido bastante procurado”, conta.