As regiões dos bairros Medeiros e Corrupira despontam como as que mais cresceram em Jundiaí nos últimos anos, segundo apontamento da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos. O avanço acompanha uma tendência de expansão da cidade em direção às bordas, impulsionada principalmente pela disponibilidade de áreas e pelo interesse do mercado imobiliário.
De acordo com Eli Gonçalves, vice-presidente de Comercialização e Inteligência de Mercado Imobiliário da Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região (Proempi), o crescimento está concentrado principalmente nos vetores oeste e norte. “O vetor oeste tem se destacado bastante, especialmente o Medeiros, que ainda possui grandes áreas disponíveis para a construção de empreendimentos”, explica. Ele destaca que bairros como o Engordadouro também vêm se expandindo ao incorporar áreas próximas, como o Corrupira, e ampliar a oferta de serviços e infraestrutura.
Corrupira tem áreas verdes e de lazer que podem ser um atrativo para novos moradores
Esse movimento, segundo Eli, é resultado de um processo histórico. “Jundiaí nasceu na região central e foi se expandindo ao longo do tempo. Hoje, além de escasso, o terreno no centro é caro. Então os empreendedores buscam novas áreas”, afirma. Ele lembra que regiões como o Retiro, antes afastadas, hoje são consideradas centrais e valorizadas, indicando a transformação urbana ao longo das décadas.
A limitação geográfica também influencia essa expansão. A zona leste já é bastante adensada, enquanto áreas ao sul enfrentam restrições ambientais por conta da Serra do Japi e da região do Cristais. “Sobram o norte e o oeste. O Medeiros, por exemplo, tem uma vocação natural por conta das grandes chácaras e preços mais acessíveis em comparação ao centro”, completa. A estimativa da Proempi é de que a população da região cresça até 500% entre 2010 e 2030.
Apesar do avanço, o crescimento acelerado traz desafios, como a mobilidade. “O vetor oeste já sofre com trânsito intenso, especialmente nos acessos pela rodovia Dom Gabriel. Além disso, faltam equipamentos públicos, como escolas, creches e unidades de saúde”, alerta Gonçalves. Ele também aponta a necessidade de reforço na segurança e planejamento urbano para acompanhar o perfil de moradores, majoritariamente famílias de classe média com filhos pequenos.
Eli Gonçalves ressalta as necessidades de infraestrutura que regiões emergentes carregam
Eli também alerta para a necessidade de construção de moradias populares e o esforço conjunto do poder público e privado. “Precisamos junto com as três esferas, Federal, Estadual e Municipal, viabilizar essas obras para reduzir o déficit habitacional da cidade”, ressalta.
Para a arquiteta e urbanista Joyce Chiquini, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) em Jundiaí, o crescimento dessas regiões está diretamente ligado ao custo da terra e à localização. “São bairros com grandes glebas e valor do metro quadrado mais acessível, o que atrai o mercado imobiliário. No caso do Medeiros, o fácil acesso às rodovias e a proximidade com cidades como Itupeva e Cabreúva tornam a região ainda mais atrativa”, explica. Já o Corrupira se destaca pelo contato com a natureza, fator que também impulsiona a procura.
Joyce ressalta que o potencial de crescimento de um bairro está ligado à sua infraestrutura e qualidade de vida. “É importante observar a mobilidade, acesso a serviços, comércio, escolas e saúde. Hoje se fala muito no conceito urbanístico de cidade de 15 minutos, onde o morador resolve tudo perto de casa”, afirma. Segundo ela, a tendência é que a expansão continue nas bordas da cidade, onde ainda há espaço disponível e maior viabilidade econômica para novos empreendimentos.
Joyce Chiquini aponta para valores mais acessíveis do metro quadrado nessas regiões