O consumo de bacalhau ganha destaque todos os anos durante a Semana Santa, mas o que muita gente não sabe é que, por trás do prato tradicional, existe uma combinação de história, técnica de conservação e até mais de uma espécie de peixe envolvida.
Muito além da mesa, o bacalhau carrega séculos de cultura e se consolidou como um dos símbolos gastronômicos mais fortes do período da Páscoa no Brasil.
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Antes de se tornar tradição religiosa, o bacalhau já era valorizado na Europa por um motivo prático: sua conservação. A técnica de salga, desenvolvida há mais de mil anos, permitia que o peixe fosse armazenado por longos períodos sem refrigeração.
O processo consiste na desidratação da carne com sal, o que impede a proliferação de micro-organismos e facilita o transporte em viagens marítimas. Foi justamente essa característica que impulsionou sua comercialização em larga escala.
Apesar de ser tratado como um único alimento, o bacalhau pode se referir a diferentes espécies. As mais conhecidas são o Gadus morhua, típico do Oceano Atlântico, e o Gadus macrocephalus, encontrado no Pacífico.
Esses peixes vivem em águas frias e profundas, podendo ultrapassar 1,5 metro de comprimento e atingir pesos elevados. Além disso, são predadores naturais, alimentando-se de crustáceos e outros animais marinhos.
A presença do bacalhau na culinária brasileira está diretamente ligada à colonização portuguesa. O hábito se fortaleceu a partir do século 19 e, com o tempo, foi incorporado às celebrações religiosas.
Durante a Sexta-feira Santa, quando muitos evitam carne vermelha, o bacalhau se torna protagonista das refeições. Hoje, o prato ultrapassa o significado religioso e também representa encontros familiares e tradições culturais que atravessam gerações.