22 de março de 2026
NÚMEROS NÃO FECHAM

Em Jundiaí, mais de 200 pessoas estão aptas a adotar uma criança

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Rodolfo e Alessandra aguardaram um longo tempo até a chegada da Alice

Segundo dados do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, conseguidos com exclusividade pelo Jornal de Jundiaí, dez crianças estão atualmente disponíveis para adoção em Jundiaí, frente a 206 pessoas habilitadas e cadastradas que aguardam na fila para adotar. Em média, são cerca de 20 pretendentes para cada criança apta.

Apesar dos interessados, a conta não fecha por vários motivos. Um deles é que a procura tem sido barrada pela preferência nas escolhas. Do total destas crianças que procuram por um lar, uma tem entre três e oito anos, três estão na faixa de oito a 12 anos e seis tem mais de 12 anos. A opção tem sido pelos bebês ou menores de três anos..

Para a psicóloga judiciária especializada em adoção, Silmara Pincinato Silva, o processo de adoção envolve diversas etapas. “Toda pessoa maior de 18 anos pode se habilitar, independentemente do estado civil ou orientação sexual. Em Jundiaí, o interessado deve procurar o fórum, apresentar documentos e passar por cursos de preparação, além de avaliação psicossocial”, afirma.

Segundo ela, o principal desafio está no chamado descompasso entre o perfil desejado pelos adotantes e o das crianças disponíveis. “Isso melhorou muito nos últimos anos, mas ainda existe. Muitos pretendentes ampliaram o perfil, aceitando crianças mais velhas ou grupos de irmãos, mas ainda há resistência. Nosso papel é conscientizar sobre a realidade da adoção, sem impor escolhas”, destaca.

Silmara Pincinato Silva diz que habilitados ampliaram leque de perfil de crianças

Além da preparação dos pretendentes, o trabalho também envolve o acompanhamento das crianças acolhidas. Em Jundiaí, as crianças e adolescentes disponíveis estão acolhidos em três serviços da região. “É fundamental que elas recebam suporte para lidar com traumas e estejam preparadas para o processo de adoção”, completa a especialista.

Espera que valeu a pena

A história do casal Rodolfo Trinquinato Camilloni e Alessandra Cortez Trinquinato ilustra o caminho, muitas vezes longo, até a adoção. Após tentativas frustradas de fertilização, eles iniciaram o processo em 2017 e só foram habilitados em 2019. “Foram anos de espera. A cada três anos precisávamos revalidar o cadastro. Em 2025, pensamos em desistir, mas de última hora resolvemos fazer mais uma atualização”, conta Rodolfo.

O que ele não imaginava é que esse seria um dos momento mais decisivos do processo. A pequena Alice Cortez Trinquinato Camilloni chegou à família com apenas quatro meses de idade e hoje tem 1 ano e três meses. “A gente sempre diz que o processo de adoção é uma gestação sem prazo para acabar. Quando ela chegou, parecia que todo o tempo de espera tinha desaparecido e tudo valeu a pena”, relata.

O pai descreve a experiência com emoção. “É um sonho realizado. Temos muito amor por ela. Todo dia é uma descoberta nova, ver ela andando sozinha, falando, acompanhar cada etapa do desenvolvimento é incrível”, ressalta.

Pelo site https://adotar.tjsp.jus.br/Adocao/PassoPasso é possível conhecer os passos de como entrar no processo de adoção.