A Câmara Municipal de Jundiaí debate no dia 25 de março a violência contra profissionais de enfermagem. A discussão ocorrerá durante audiência pública a ser realizada no plenário da Casa, das 18h às 21h30. A iniciativa tem o objetivo de dar visibilidade às demandas da categoria, fortalecer a luta por respeito e discutir caminhos concretos para a construção de ambientes de trabalho mais seguros.
O tema será debatido diante de um cenário preocupante revelado por um levantamento feito pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) com 70 profissionais. Segundo os dados, na Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) 67,1% dos profissionais de enfermagem relatam ter sofrido violência verbal. O levantamento com trabalhadores da área aponta predominância de agressões verbais e alto índice de casos que não chegam a ser denunciados.
Os dados obtidos revelam também que, entre os entrevistados, 91,4% são mulheres e 85,7% têm até 50 anos, evidenciando o perfil predominante da categoria e o impacto da violência sobre trabalhadores em plena fase produtiva.
O levantamento também revela que 67,1% dos profissionais relataram ter sofrido violência verbal no ambiente de trabalho, enquanto 27,1% afirmaram ter sido vítimas de agressões físicas. A maior parte das ocorrências foram registradas em unidades da rede pública de saúde, que concentram 67,1% dos casos relatados. Já a rede privada respondeu por 27,1% das agressões.
Outro dado que chama atenção é a subnotificação. Entre os profissionais que sofreram algum tipo de violência, 67,1% afirmaram não ter registrado denúncia formal, o que evidencia a dificuldade de enfrentamento institucional do problema. O levantamento também indica que, em 75,7% dos casos, a agressão partiu dos próprios pacientes, reforçando a exposição direta dos trabalhadores da enfermagem durante o atendimento à população.
Em relação ao perfil racial, 35,7% dos profissionais que relataram violência se identificam como pretos ou pardos, evidenciando a presença de desigualdades estruturais também no contexto da violência ocupacional. Para o presidente do Coren-SP, Sérgio Cleto, a audiência pública representa um passo fundamental no enfrentamento do problema.
“A violência contra a enfermagem tem impacto direto também na população, que muitas vezes deixa de ser assistida quando o profissional precisa ser afastado para se recuperar. O Coren-SP seguirá em diálogo permanente com o poder público para mudar essa realidade. Podemos até chegar em casa cansados, mas não vamos mais aceitar chegar agredidos”, afirma.
Audiência Pública - Enfrentamento à violência contra os profissionais de enfermagem
Data: 25/03, das 18h às 21h30
Local: Câmara Municipal de Jundiaí - rua Barão de Jundiaí, 128, Centro