Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, indicam que ele teria tentado se comunicar com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo dia em que acabou preso pela 1ª vez pela Polícia Federal, em 17 de novembro de 2025.
Os registros teriam sido localizados no celular do empresário durante a investigação. De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo, o conteúdo aponta que Vorcaro buscava atualizações sobre um possível vazamento de informações e tentava saber se havia alguma forma de impedir medidas contra ele.
As mensagens teriam sido trocadas ao longo do dia e incluíam questionamentos sobre possíveis desdobramentos do caso investigado pelas autoridades.
Segundo a reportagem, o primeiro contato teria ocorrido ainda pela manhã. Nas mensagens, o banqueiro comentava sobre rumores de que detalhes da investigação estariam circulando entre pessoas ligadas ao setor financeiro e jornalistas.
Mais tarde, já no fim da tarde, novas mensagens teriam sido enviadas ao ministro questionando se havia alguma novidade sobre a situação ou possibilidade de bloquear ações relacionadas ao caso.
Os registros indicam que a conversa teria continuado no início da noite. A prisão do empresário ocorreu por volta das 22h do mesmo dia, durante uma operação da Polícia Federal.
De acordo com as informações divulgadas, parte do diálogo teria ocorrido por meio de mensagens de visualização única, recurso que impede o armazenamento automático do conteúdo no aplicativo de conversa.
Para manter um registro, Vorcaro teria copiado o conteúdo em um bloco de notas do celular e feito capturas de tela antes de enviar as imagens. Os textos anotados teriam permanecido salvos no aparelho, o que permitiu aos investigadores visualizar trechos da conversa.
O episódio se soma a outras reportagens publicadas anteriormente que apontaram vínculos comerciais envolvendo o Banco Master e familiares do ministro.
Em dezembro, o mesmo jornal revelou a existência de um contrato de R$ 129 milhões entre a instituição financeira e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Além disso, também foi noticiado que o ministro teria buscado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em algumas ocasiões para tratar de assuntos relacionados ao banco.
Moraes nega ter recebido mensagens do empresário. As informações fazem parte do material analisado no inquérito conduzido pela Polícia Federal.