O técnico José Mourinho, do Benfica, voltou a comentar a acusação de racismo feita por Vini Jr. contra o argentino Prestianni, que defende os Encarnados. O português afirmou que caso o seu jogador seja culpado, não o verá mais da mesma forma.
"Quero ser imparcial num caso que poderá ser de grande gravidade. Enquanto cidadão, sou uma pessoa que repudia qualquer tipo de preconceito ou idiotice. Se o meu jogador não respeitou estes princípios, que são os meus e do Benfica, a sua carreira com um treinador que se chama Mourinho e num clube como o Benfica chega ao fim. Não sou um letrado, mas não sou um ignorante, presunção de inocência é um direito. Se o jogador for efetivamente culpado, não vou voltar a olhar para ele como tenho olhado e acabou para mim", disse José Mourinho, em entrevista coletiva.
A declaração vem após outra fala de Mourinho gerar repercussão na Europa logo após o jogo de ida entre Benfica e Real Madrid nos playoffs da Champions. Na ocasião, o treinador minimizou a denúncia de racismo e afirmou que o fato de Vini Jr. ter dançado em frente à bandeirinha de escanteio após fazer o gol teria causado o alvoroço.
"Uma coisa é o que o Vinícius diz, outra é o que o Prestianni diz. São coisas completamente diferentes. Eu disse ao Vinícius, de forma independente, que quando um jogador faz um gol daqueles sai nos ombros. Não se vai provocar um estádio ou mexer com o coração do estádio adversário. Não acaba com o jogo. E ele acabou com o jogo", continuou José Mourinho, após Benfica 0 x 1 Real Madrid.
O episódio aconteceu no dia 17 de fevereiro, no Estádio da Luz, em Lisboa. Vini Jr. fez o gol da vitória por 1 a 0 do Real Madrid sobre o Benfica e dançou em frente à bandeirinha de escanteio.
A dança irritou jogadores e torcedores do Benfica. Um dos mais irritados, o atacante Gianluca Prestianni discutiu com o brasileiro e, em determinado momento, cobriu a boca com a camiseta. Logo em seguida, Vini Jr. denunciou ao árbitro que teria sido chamado de "mono" (macaco, em espanhol).
A Uefa passou a investigar o caso e suspendeu Prestianni. O argentino foi impedido de entrar em campo no jogo de volta, disputado no Santiago Bernabéu. Na ocasião, o Real venceu por 2 a 1, com gol de Vini Jr. e ações da torcida contra o racismo.
A IFAB, órgão que define as regras do futebol, estuda criar a "lei Vini Jr". Ontem, os representantes se reuniram para votar novas medidas no futebol mundial e definiram que vão estudar planos para colocar em prática uma norma que proíbe jogadores de cobrirem a boca com a camisa, mão ou de outra forma durante uma discussão.