24 de fevereiro de 2026
CASO HACKER

Hacker foragido negocia delação sobre suposto esquema

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Hacker Patrick Cesar da Silva Brito, de 32 anos, negocia acordo de colaboração premiada com o MPF enquanto permanece foragido na Sérvia

O hacker Patrick Cesar da Silva Brito, 32 anos, investigado por invasões de dispositivos eletrônicos, negocia um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF). Foragido na Sérvia, ele afirma que pode apresentar informações sobre a suposta participação de policiais civis em um esquema de obtenção ilegal de dados utilizados em investigações no interior de São Paulo.

O caso ganhou repercussão após denúncia relacionada à Operação Raio-X, deflagrada em 2020 para apurar possíveis irregularidades em contratos entre prefeituras e organizações sociais. Um dos investigados à época relatou ter sido alvo de invasão de celular e posterior tentativa de extorsão. Posteriormente, o hacker assumiu a autoria da invasão e passou a sustentar que teria atuado com apoio de integrantes da Polícia Civil.

As acusações foram encaminhadas a diferentes instâncias de controle interno e resultaram na abertura de procedimentos administrativos e inquéritos judiciais. Em outubro de 2024, a 5ª Vara Federal de Santos instaurou dois inquéritos para aprofundar a apuração dos fatos.

Segundo manifestação anterior do MPF, a documentação apresentada pelo investigado — composta por dezenas de arquivos — indicaria a possível participação de outros agentes públicos, dependendo ainda de perícia técnica para validação da autenticidade do material. As negociações para um eventual acordo seguem em andamento e estão sob sigilo judicial.

Procurado, o MPF informou que não comenta casos protegidos por segredo de Justiça. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) não se manifestou até a publicação.

Histórico do caso

O hacker foi preso em janeiro de 2021, em Araçatuba, após invadir o celular de uma autoridade municipal e tentar obter vantagem financeira. Depois disso, afirma ter mantido contato com policiais e passado a colaborar em investigações, já residindo fora do país.

Ele sustenta que teria recebido pagamentos por serviços prestados e apresentou comprovantes e registros de mensagens para embasar suas alegações. Parte desse material também integra investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Entre os episódios relatados está a invasão do celular de um médico ligado ao meio político paulista. De acordo com o investigado, a obtenção de dados teria sido motivada por interesse em aprofundar apurações relacionadas a figuras públicas. As mensagens anexadas aos autos ainda aguardam perícia oficial.

Apurações internas

Procedimentos administrativos foram instaurados ao longo dos últimos anos para verificar as denúncias. Em 2024, a Corregedoria da Polícia Civil abriu nova apuração preliminar com a finalidade de garantir transparência e isenção. O procedimento foi posteriormente arquivado, com base em entendimentos de investigações anteriores.

No relatório final, os responsáveis apontaram que não foram identificados elementos suficientes para confirmar irregularidades funcionais. Parte dos documentos apresentados pelo denunciante foi considerada insuficiente ou já analisada em outras frentes investigativas.

O caso segue sob análise da Justiça Federal. Enquanto isso, a possível formalização de um acordo de colaboração poderá definir os próximos desdobramentos.