17 de fevereiro de 2026
ARTIGO

Dependência Emocional

Por Júnior Ometto |
| Tempo de leitura: 3 min

“Cada relacionamento é um espelho; ele revela sua identidade a você”. (Osho)

Uma das maiores causas de sofrimento do ser humano é nosso tema de hoje. Entendê-lo é condição fundamental para a busca de soluções e é preciso lembrar que dependência ou compulsão não estão ligados apenas ao uso de substâncias químicas, mas também a muitas outras “situações” que ofereçam, paradoxalmente, algum tipo de satisfação ou prazer, como passar muito tempo em frente ao computador, comprar de maneira exagerada e até prejudicial financeiramente, jogos, desequilibrar-se na alimentação ou no sexo, frustrar-se quando não é elogiado, lembrado ou convidado para algo, fobia de perder alguém ou algum bem material, além de tantos outros comportamentos que se chocam negativamente com os verdadeiros e saudáveis mecanismos de prazer e de qualidade de vida e, então (infelizmente), vão se tornando incontroláveis, prejudiciais e até mortais porque a pessoa se sente invadida por um desejo (mais poderoso que ela) que, no início, gera realmente muito prazer, mas depois descarrega um enorme sentimento de tristeza, mal-estar, culpa, arrependimento e sensação de descontrole de si mesmo.

A maioria dos seres humanos - consciente e inconscientemente, por vários motivos – está cada vez mais dependente e cada vez mais apegado, o que está gerando um caos emocional de proporções alarmantes, causado pela falta de autoconhecimento e, consequentemente, de habilidade em romper com crenças limitantes “abastecidas” durante a existência. Uma comprovação disso?  Preste atenção ao conteúdo de muitas músicas que fazem sucesso; vídeos, novelas, ao conteúdo de “reality shows”, programas, aos “heróis” que estão inspirando crianças, adolescentes e até adultos, sem contar a vida editada nas redes sociais. São nada mais nada menos que gritos de socorro, desespero e descontrole, buscando ressignificações e fazendo transferências, escondidas nos mais variados argumentos.

Vamos analisar outra situação neste contexto: quando alguém diz que não pode viver sem determinada pessoa ou tem muita dificuldade em sair de um relacionamento, deixa claro que sua sobrevivência está “nas mãos” daquela relação ou... daquele vício, daquele apego, daquela dependência. Essas são as piores ilusões que a vida pode proporcionar a alguém e que precisa ser tratada e resolvida.

Quanto mais você se apegar ou depender desequilibradamente (de pessoas, bens ou qualquer outra coisa), mais você vai se escravizar e sofrer.  

Se abordarmos a compulsão sexual, por exemplo, as estatísticas são preocupantes, pois ela passa de hábito à patologia e pode levar a perda da vida social, do emprego, da saúde e da condição financeira em poucos anos. Infelizmente as pessoas não aceitam (por vários motivos) ou se dão conta de que algo está errado ou exagerado e não buscam ajuda, enquanto a situação vai se agravando.

A vida é uma grande, linda e rápida viagem e, quando você faz uma viagem, certamente não gosta de levar muita bagagem, não é? Em nossa vida também é assim.

É inteligente eliminar “bagagens” desnecessárias. O mundo moderno está empurrando as pessoas para um destino cada vez mais perigoso, vazio, doloroso e, paradoxalmente, fácil. Tenha coragem de iniciar o processo de vitória sobre você mesmo, seus traumas, compulsões, apegos, síndromes, inseguranças, medos e todos os problemas emocionais que têm aumentado o peso da sua bagagem ou te impedem de transitar com intensidade, prazer e liberdade esta linda (e curta) viagem!

Júnior Ometto é doutor em psicanálise e professor universitário.