07 de fevereiro de 2026
TRANSPORTE EM CRISE

Licitação do transporte é adiada mais uma vez em Campinas

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Flávio Paradella
Notificação do TCE provoca novo atraso em processo que se arrasta há anos, enquanto usuários convivem com tarifas altas e frota envelhecida.

A licitação do transporte público coletivo de Campinas sofreu mais um adiamento, prolongando uma disputa que já se transformou em uma novela sem fim e mantém os passageiros reféns de um sistema caro, degradado e com serviço abaixo do esperado. Após notificação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), a Secretaria Municipal de Transportes (Setransp) decidiu adiar em 15 dias a entrega dos envelopes do certame.

Inicialmente marcada para 10 de fevereiro, a entrega da documentação foi remarcada para 25 de fevereiro, enquanto a abertura dos envelopes ficou para 5 de março, ambas na sede da B3, em São Paulo.

O novo atraso foi motivado por inconsistências técnicas identificadas pelo TCE em planilhas que integram o edital, especialmente no chamado Fator de Utilização (FU), indicador que influencia diretamente o custo operacional do sistema. Segundo a notificação, o cálculo apresentado não refletia de forma adequada a dinâmica da operação, com risco de distorções nos custos de pessoal. Também foram apontadas falhas na estimativa de benefícios trabalhistas.

A Setransp e a Emdec informaram que optarão por corrigir os erros antes do prosseguimento do processo para evitar um atraso ainda maior. A publicação da errata está prevista até 13 de fevereiro.

Enquanto o processo se arrasta, o usuário do transporte coletivo segue convivendo com uma frota envelhecida, falhas recorrentes, intervalos longos e uma das tarifas mais altas do país, sem que haja uma solução definitiva à vista.

O edital da licitação foi publicado em 5 de dezembro de 2025, após anos de discussões, audiências públicas e revisões. O processo prevê a concessão do sistema por 15 anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco. Apesar da extensa tramitação técnica e institucional — que envolveu conselhos municipais, audiências públicas e consulta popular —, o cronograma segue sendo empurrado.

Para o passageiro, no entanto, o debate técnico não muda a realidade diária: ônibus lotados, atrasos frequentes e um sistema que aguarda, há anos, uma renovação prometida e constantemente adiada.