07 de fevereiro de 2026
ARTIGO

Aos 80, Lula está com tudo e quer mais

Por Kazuo S. Koremitsu |
| Tempo de leitura: 3 min

Em outubro do ano passado nosso Presidente chegou aos 80 anos e ao que parece, firme e forte. Parabéns. Mas ele não quer parar por aí nem encerrar sua carreira. Ele quer mais. Por ele, certamente seria candidato à presidência quantas vezes forem necessárias. O fato é que a esquerda toda do país é ele. Ao menos, a esquerda viável.

Ainda tem Haddad e o radical Boulos. Mas esses não tem chance alguma contra bons administradores. A discussão entre a esquerda e a direita agora não está mais direitos trabalhistas ou sociais, mas na identidade de gênero, na família e, sobretudo, nos costumes. Um debate entre o conservadorismo e o progressismo. Entre a liberdade de poder dizer versus o que é racismo o que é homofobia. Palavras proferidas em público agora tem consequências mais graves. Todo assunto discutido é delicado. Deve se medir as palavras, encontrar uma linguagem neutra, um eufemismo para tudo o que se fala. Tudo agora é descolonização. Como se o Brasil, de uma hora para outra, pudesse mudar seu passado e sua herança colonial.

Marx está ficando fora de moda. Infelizmente não é mais discutido a sério. Nem como filósofo nem como economista. Uma pena, pois toda a esquerda se construiu em cima de suas ideias; equivocadas em sua maioria, sem dúvida, mas que mereciam ser discutidas. Hoje até Lula defende (e pactua) o livre comércio entre as nações. É algo difícil de se imaginar para um líder sindicalista dos anos 70. Com isso, o debate entre a esquerda e a direita mudou de posição: foi para a seara dos costumes. E aqui está em jogo a tradição da família e o que é ser homem, ser mulher ou ser outra coisa entre esses dois polos. O debate sobre a propriedade está reduzido em «taxar ou não taxar »  as grandes fortunas.

Se Trump é um verdadeiro ignorante em economia, Lula não o é. Enquanto Trump faz seus acertos na política externa, tentando uma hegemonia em favor dos Estados Unidos, erra feio na política interna, expulsando imigrantes que sustentam toda a cadeia produtiva americana.  Lula, por outro lado, tem seus acertos na política interna, mas erra feio na política externa. Talvez (e só talvez) seja ele quem aspire ganhar o Prêmio Nobel da Paz. E se ganhar, certamente não o dedicará à Trump.

Mas se há algo que a esquerda ainda gosta é criar uma dívida interna e gastar mais do que o orçamento permite em prol de uma tal «política social». É o bolsa-família, o vale-gás, o vale-cultura e outros assistencialismos que condenaram a Europa à sua atual insignificância econômica. Mas a esquerda também gosta de boas autocracias. A Venezuela de Maduro, a Cuba de Castro, a Rússia de Putin e a China de Xi. Resquícios daquele inexplicável amor pelo comunismo. Mas nesse ano eleitoral de 2026, se pudermos fazer um palpite sobre o debate nacional, o foco será nos costumes e na liberdade de se expressar. E é claro, no ponto nevrálgico da esquerda: a segurança pública.

O governo de Santa Catarina colocou em pauta um bom debate nacional: para que servem as cotas universitárias? Vai perder o debate, sem dúvida. Mas só pelo fato de podermos questionar porque algumas pessoas devem ser privilegiadas em detrimento de outras sem a devida prova de conhecimento, é um debate muito válido. O Estado do Rio de Janeiro, por sua vez, colocou outro debate em pauta: a segurança pública. Vale matar 120 para (tentar) combater a célula criminosa que se infiltra mais e mais na sociedade e no governo? E melhor ainda: a criminalidade é fruto de uma sociedade falida como quer o pensamento esquerda, ou é fruto da ganância individual dos criminosos?

Em 2026, a resposta a esses debates elegerá o Presidente da República.

Kazuo S. Koremitsu é economista com doutorado em Direito.