05 de fevereiro de 2026
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Maurício Benato: união e representatividade fortalecem empresas 

Por André Thieful |
| Tempo de leitura: 6 min
Divulgação

A Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi) encerrou 2025 com 7.500 associados, consolidando um dos maiores quadros de filiados de sua história e refletindo um momento de maior engajamento do empresariado local. Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, o presidente da entidade, Maurício Benato, avalia os fatores que impulsionaram esse crescimento, comenta os efeitos das tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre a economia regional e analisa os desafios trazidos pela reforma tributária. Benato também fala sobre expectativas para o comércio diante de grandes eventos, como a Copa do Mundo, e sobre a importância da representatividade política de Piracicaba nas esferas estadual e federal.

A Associação Comercial e Industrial de Piracicaba atingiu 7.500 associados em 2025. A que o senhor atribui esse crescimento e o que isso revela sobre o momento do empresariado local?

Esse crescimento é resultado de um trabalho contínuo de aproximação com as empresas e de foco em entregar valor real ao associado. Hoje, as empresas veem claramente valor na Acipi, tanto no apoio diário quanto nas oportunidades que a entidade gera. A Acipi procura estar presente, ouvir, orientar e conectar pessoas e negócios, contribuindo de forma concreta para o crescimento das empresas. Isso revela um empresariado atento, que reconhece a importância da união, da representatividade e do trabalho coletivo para enfrentar desafios, proteger interesses comuns e fortalecer o desenvolvimento de Piracicaba.

Esse aumento no número de associados reflete mais abertura de novos negócios ou maior engajamento de empresas já existentes na Acipi?

 É uma combinação dos dois fatores. Piracicaba continua sendo uma cidade empreendedora, com novos negócios surgindo e procurando apoio desde o início. Ao mesmo tempo, empresas já consolidadas passaram a se envolver mais com a entidade, percebendo a Acipi como uma parceira estratégica. Esse movimento mostra um empresariado mais maduro, que valoriza informação, capacitação, relacionamento e representação institucional em momentos importantes.

Olhando para 2025, quais foram as principais lições que o empresariado tirou do ano passado, marcado pela imposição de tarifas pelo governo norte-americano?

A principal lição foi a cautela. Quando as tarifas foram anunciadas, em julho, o clima foi de apreensão, especialmente em cidades industriais e exportadoras como Piracicaba. A Acipi acompanhou esse cenário de perto, analisando os possíveis impactos e reforçando, em suas avaliações, a importância do diálogo entre os países e de decisões bem fundamentadas. Com o tempo e a redução das tarifas para parte dos produtos, ficou claro que atitudes precipitadas poderiam gerar prejuízos desnecessários. O episódio reforçou a necessidade de avaliar cenários com calma, buscar informação qualificada e manter flexibilidade para ajustar estratégias sem comprometer o planejamento das empresas.

De que forma essas tarifas impactaram, direta ou indiretamente, empresas de Piracicaba, especialmente as ligadas à indústria e exportação?

Piracicaba foi impactada com uma realidade própria, por ter uma economia diversificada, com agronegócio forte, parque industrial relevante — especialmente nos setores metalmecânico e de máquinas agrícolas — e presença de um parque automotivo com produção voltada à exportação. O anúncio das tarifas gerou preocupação e exigiu maior atenção no planejamento. A posterior redução para produtos do agronegócio trouxe algum alívio, mas a manutenção de barreiras para a indústria manteve o sinal de alerta, reforçando a necessidade de acompanhamento constante do cenário internacional e de ajustes estratégicos.

Quais estratégias os empresários locais adotaram para enfrentar esse cenário internacional mais instável?

Os empresários buscaram se adaptar e reduzir riscos. Um movimento importante foi a diversificação de mercados, com a busca por novos parceiros fora dos Estados Unidos, especialmente na América Latina, Europa e Ásia. Também houve maior atenção à gestão financeira, com controle de custos, cautela em investimentos e preservação do capital de giro. Além disso, o fortalecimento das relações locais ganhou força, com mais troca entre empresas da região e apoio institucional das entidades, que atuaram no diálogo com o poder público para minimizar impactos e preservar a competitividade.

Com a reforma tributária já em fase de implementação, qual é hoje a principal preocupação do empresariado de Piracicaba?

A principal preocupação é ter previsibilidade e segurança durante a transição. O empresariado reconhece que a reforma pode trazer simplificação, mas teme incertezas quanto à carga tributária e à adaptação das regras, especialmente para pequenas e médias empresas. Planejar investimentos, ajustar preços e reorganizar processos depende de regras claras e estabilidade, fatores fundamentais para manter a competitividade.

A reforma pode trazer mais simplificação, mas também incertezas. Como as empresas estão se preparando para essa transição? As empresas têm buscado se informar e se preparar com antecedência. Há maior procura por capacitações, consultorias e debates para entender os impactos práticos da reforma. Internamente, muitos negócios já começaram a revisar processos, sistemas e o planejamento financeiro. Essa postura mostra responsabilidade e a consciência de que se antecipar pode reduzir riscos ao longo da transição.

A Acipi tem promovido ações de orientação ou capacitação para ajudar os empresários a entender as mudanças tributárias?

Sim. A Acipi tem tratado a Reforma Tributária como uma pauta estratégica, por entender que seus efeitos ultrapassam a área fiscal e impactam diretamente a gestão das empresas. Desde o início das discussões, a entidade vem produzindo vídeos informativos para orientar os associados sobre as mudanças e formas de adaptação, além de promover encontros presenciais. Um exemplo é a palestra O Despertar da Reforma Tributária, que acontece na próxima quarta-feira, dia 4/02, é o terceiro de uma série de eventos voltados a esclarecer os impactos da nova tributação e apoiar decisões mais seguras para os negócios.  

Em um ano marcado por grandes eventos, como a Copa do Mundo, que efeitos o senhor espera para o comércio local?

Grandes eventos costumam aquecer a economia, especialmente o comércio e os serviços, com destaque para bares e restaurantes, que tendem a registrar aumento significativo no movimento. A expectativa é de estímulo ao consumo e de boas oportunidades para os negócios locais. Para esses estabelecimentos, é um momento de planejamento, preparo das equipes e criação de experiências atrativas, que aproximem o consumidor e valorizem o atendimento, aproveitando o ambiente favorável para fortalecer o relacionamento e as vendas.

O calendário político também é intenso, com eleições para Presidência da República, Governo do Estado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa. Esse cenário gera mais cautela ou mais oportunidade para os empresários?

Gera os dois. A cautela é natural, porque períodos eleitorais trazem incertezas. Ao mesmo tempo, é uma oportunidade de ampliar o debate sobre desenvolvimento, economia e ambiente de negócios. O empresariado passa a acompanhar mais de perto propostas e compromissos, buscando defender pautas que favoreçam o crescimento, a geração de empregos e a competitividade.

­É muito importante. Contar com representante em Brasília amplia a capacidade de Piracicaba defender seus interesses. Isso significa mais articulação, mais atenção a projetos e investimentos e maior presença nos debates que impactam diretamente o desenvolvimento da cidade e da região.

Em relação à Assembleia Legislativa, Piracicaba conta atualmente com dois deputados estaduais. Esse número é suficiente para representar os interesses regionais?

A presença é relevante, mas mais importante que o número é a atuação. O fundamental é que os representantes estejam alinhados com as demandas da região, mantenham diálogo com entidades e atuem em pautas que contribuam para o desenvolvimento do interior. Quando há compromisso e trabalho consistente, os resultados aparecem.

A Acipi já realizou debates e outras interações com candidatos a cargos públicos. Pretende manter essa atuação ativa no debate político?

A atuação da Acipi se ajusta a cada tipo de eleição. Em pleitos municipais, a entidade promove iniciativas de diálogo, como o painel com os candidatos realizado em 2024, que ajudou a aproximar propostas e eleitores. Já nas eleições gerais, a postura é institucional, sem a realização de debates, mas com estímulo à conscientização política e à importância de Piracicaba eleger representantes comprometidos com a cidade e a região, nas esferas estadual e federal.