23 de janeiro de 2026
ARTIGO

Guerras contemporâneas e suas motivações

Por José Osmir Bertazzoni |
| Tempo de leitura: 3 min

Em todos os rincões do planeta, conflitos armados continuam a moldar a geopolítica, afetando milhões de pessoas e impondo grandes desafios à diplomacia internacional. As guerras atuais não surgem de forma isolada: elas resultam da combinação de fatores históricos, políticos, econômicos e culturais que se reforçam mutuamente.

Uma das principais motivações das guerras contemporâneas é a disputa por poder político e controle territorial. O conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em 2022 e ainda ativo em 2026, exemplifica esse tipo de confronto entre Estados, marcado por interesses estratégicos, impactos urbanos severos e elevado número de vítimas civis.

No Oriente Médio, o confronto entre Israel e grupos armados palestinos, como o Hamas na Faixa de Gaza, continua a gerar destruição e perdas humanas. Ciclos repetidos de ofensivas militares e cessar-fogos instáveis agravam a crise humanitária e dificultam soluções duradouras. O conflito entre israelenses e palestinos é um dos mais longos e complexos do mundo contemporâneo. Suas raízes remontam ao início do século XX, envolvendo disputas territoriais, identitárias e políticas após a criação do Estado de Israel, em 1948. Atualmente, o confronto se manifesta principalmente entre Israel e grupos armados na Faixa de Gaza, além de tensões constantes na Cisjordânia. A ausência de um acordo político duradouro mantém ciclos recorrentes de violência, com forte impacto sobre a população civil e consequências humanitárias graves.

Intensificado em 2025, tensões diretas entre Israel e Irã também tomaram força, com ataques de mísseis e drones que ampliam o alcance regional do conflito.

Na África, conflitos internos seguem devastando países inteiros. No Sudão, confrontos entre o Exército e milícias como as “Rapid Support Forces” provocaram uma das maiores crises humanitárias atuais, com milhões de deslocados. Na República Democrática do Congo, grupos rebeldes como o M23 mantêm combates frequentes no leste do país, alimentados por interesses externos e disputas por recursos.

Na Ásia, Mianmar enfrenta uma guerra civil complexa desde o golpe militar de 2021. Diversos grupos étnicos e insurgentes lutam contra a junta militar e entre si, gerando deslocamentos em massa e instabilidade prolongada.

Outras regiões vivem conflitos persistentes, embora menos visíveis no noticiário internacional. O Iêmen segue marcado por uma guerra civil com intervenção externa. Violências armadas continuam em países como Camarões, Haiti e Colômbia, enquanto o Sahel africano, especialmente Mali e Burkina Faso, enfrenta a ação constante de grupos militantes.

Além das guerras convencionais, disputas por recursos naturais e identidades coletivas alimentam conflitos de baixa e média intensidade. Petróleo, gás, minerais, água e terras férteis tornaram-se ativos estratégicos em um mundo pressionado pelo crescimento populacional e pelas mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, tensões étnicas e religiosas são usadas para justificar a violência e mobilizar apoio armado.

Interesses das grandes potências, como Estados Unidos, Rússia e China, também contribuem para a continuidade de guerras indiretas, por meio do envio de armas e apoio político a lados opostos. O uso de novas tecnologias, como drones, armas de precisão e campanhas de desinformação, tornou os conflitos mais complexos e difíceis de resolver.

As guerras atuais refletem um cenário marcado pela combinação de interesses materiais, ambições políticas e fatores identitários. Sem ações coordenadas que fortaleçam a diplomacia, promovam o desenvolvimento sustentável e consolidem instituições legítimas, os conflitos armados tendem a continuar como uma das expressões mais graves das tensões do mundo contemporâneo.

José Osmir Bertazzoni é jornalista e advogado.