12 de janeiro de 2026
ESALQ

Centro de pesquisa para doenças da citricultura é inaugurado

Por Gabriela Lima/JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Gabriela Lima
Comemoração da Inauguração do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA

No dia 12 de janeiro, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) foi palco da assinatura de um convênio estratégico que promete redefinir o futuro da citricultura paulista. A parceria entre a Fapesp e o Fundecitrus, com apoio da Fealq, garante um investimento de R$ 90 milhões ao longo de cinco anos em pesquisa, inovação, transferência de tecnologia e educação no campo.

O acordo oficializa a criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citrus), voltado à manutenção da produtividade e da sustentabilidade dos pomares de citros no estado de São Paulo. O foco principal é o enfrentamento do Greening, considerada atualmente a doença mais severa da citricultura no Brasil e no mundo.

Greening avança e preocupa produtores

Provocada pela  bactéria Candidatus Liberibacter, a doença compromete o desenvolvimento das plantas, reduz a produtividade e pode levar à morte do pomar. Em algumas regiões paulistas, a incidência já atinge quase metade das plantas, afetando diretamente municípios que dependem economicamente da produção de laranja, lima e mexerica, culturas altamente suscetíveis.

Especialistas alertam que o controle só é eficaz quando realizado de forma regional e coordenada. Sem o manejo adequado do inseto transmissor, o psilídeo, a disseminação ocorre rapidamente, ampliando os danos.

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Pesquisa integrada e atuação em rede

O CPA Citrus reunirá cerca de 75 pesquisadores e funcionará de maneira integrada, com sede virtual e base operacional na Esalq, referência nacional em sanidade e manejo de pomares. O centro vai articular uma rede com mais de 22 instituições de pesquisa, ampliando a capacidade científica e acelerando a busca por soluções práticas para o controle da doença.

O modelo adotado reforça a cooperação entre os setores público e privado. Os recursos são majoritariamente oriundos da Fapesp, em parceria com o Fundecitrus, entidade mantida pelos produtores. Parte das ações já está em execução, o que deve gerar impactos perceptíveis no campo em curto prazo.

Medidas já adotadas no campo

Entre as principais estratégias estão a erradicação de plantas contaminadas, o monitoramento constante dos pomares, aplicações frequentes de inseticidas e o uso de técnicas de repelência para reduzir a população do psilídeo. As ações atingem pequenos, médios e grandes produtores, especialmente em regiões mais quentes, onde o inseto encontra condições ideais para se multiplicar.

O centro também investe em educação e conscientização. Parcerias com prefeituras, campanhas informativas, palestras técnicas e iniciativas em escolas buscam fortalecer a cultura de prevenção e manejo adequado desde as novas gerações.

Sustentabilidade e futuro da citricultura

Ao integrar ciência, tecnologia e educação, o CPA surge como uma estratégia central para garantir o futuro da citricultura paulista. A iniciativa pretende reduzir perdas econômicas, fortalecer o controle do Greening e assegurar a sustentabilidade de uma das cadeias produtivas mais importantes do estado e do país.