A magistratura brasileira é o grupo que mais pesa para que o Brasil lidere o ranking internacional de supersalários no serviço público. Um estudo do Movimento Pessoas à Frente, que comparou dados de 11 países entre agosto de 2024 e julho de 2025, mostra que quase 11 mil juízes receberam, no período, mais de US$ 400 mil — valor superior ao pago a magistrados em sete das dez nações analisadas, incluindo Estados Unidos, França e Reino Unido.
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O levantamento revela que, embora outras carreiras do sistema de Justiça também apareçam entre as mais bem remuneradas, é o volume de contracheques da magistratura que coloca o Brasil em posição única. No total, 53,5 mil servidores — entre ativos e inativos — recebem acima do teto constitucional de R$ 46.366,19. Os supersalários consumiram R$ 20 bilhões dos cofres públicos em um ano, cifra 21 vezes maior que a registrada na Argentina, segunda colocada no ranking.
Enquanto isso, os números internacionais ficam bem abaixo. Nos Estados Unidos, pouco mais de 4 mil servidores ultrapassam o limite remuneratório. Na Alemanha, nenhum pagamento acima do teto foi identificado. A comparação foi feita com base na Paridade de Poder de Compra (PPC), ferramenta que equaliza o impacto real das remunerações em diferentes moedas e economias.
O estudo também relaciona os supersalários à concentração de renda no país. Cerca de 40 mil servidores figuram entre os 1% mais ricos, com ganhos anuais superiores a R$ 685 mil. Desse grupo, 49,8% são juízes, reforçando o peso da magistratura na elite econômica brasileira — enquanto membros do Ministério Público representam 21,1%.
Diante dos dados, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afirmou que cabe aos tribunais definir remunerações e que o órgão atua posteriormente para suspender pagamentos irregulares. Já o Ministério da Gestão e Inovação destacou que, no Executivo Federal, apenas 1% dos servidores recebe acima do teto, devido a parcelas indenizatórias previstas em lei.
Para a ministra Esther Dweck, reduzir os supersalários — especialmente no Judiciário — exige construção política e diálogo. “Sem consenso, essa agenda não vai avançar”, afirmou durante evento do próprio Movimento Pessoas à Frente.