27 de fevereiro de 2026
DIA DOS PROFESSORES

Inteligência Artificial na educação: bom-senso e cautela

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
A Inteligência Artificial permite muitas variáveis a favor da formação acadêmica, mas ferramenta não é isenta de falhas

A Inteligência Artificial (IA) está transformando diversos setores da sociedade e a educação é um dos mais impactados. Entre os benefícios explorados e desafios a serem enfrentados, educadores e estudantes pregam o bom-senso ao utilizá-la. Dessa forma, seria uma aliada e não uma vilã no processo de aprendizagem.

Entre os benefícios, a Inteligência Artificial permite adaptar o conteúdo, ritmo e formato de ensino às necessidades de cada aluno; o feedback imediato na correção de tarefas; a acessibilidade; a análise de dados educacionais; e a gamificação e aprendizado imersivo, entre outros.

Há, por outro lado, muitos desafios como a desigualdade, já que nem todas as escolas têm acesso à tecnologia de ponta; a dependência tecnológica, devido ao uso excessivo; a desvalorização do papel do professor – pois há receio de que a IA substitua os profissionais; e a falta de formação docente em tecnologias baseadas em IA.

“Em primeiro lugar, a gente tem de conhecer como funciona esses modelos de IA generativa (ChatGPT, Gemini, Claude, entre outros); é muito conteúdo novo para o professor e a gente tem de se adaptar à forma como os alunos estão usando isso”, teoriza o professor Marlon Fernandes de Souza, da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz).

Com a novidade ocupando cada vez mais o espaço acadêmico, num caminho sem volta, os dois lados (educadores e educandos), entendem que a IA tem grande potencial de transformação na educação, promovendo ensino mais inclusivo, eficiente e adaptável à realidade de nosso tempo.

“A IA me auxilia quando estou com alguma dificuldade ou dúvida em exercícios e na hora de fazer resumos para estudo, mas apenas faço o uso dela quando estou fora da escola”, conta Mariana Sotto, de 15 anos, estudante da Etec Coronel Fernando Febiliano da Costa, em Piracicaba.

“A IA é uma ferramenta com muito potencial para agilizar certos trabalhos dentro da educação. Dessa forma, é um meio e não um fim em si”, complementa Alexandre Vecchine, 31, professor de História e de Tecnologia da rede pública estadual.

O docente e a adolescente, entretanto, ponderam em um ponto: a cautela. “Sou a favor do uso, quando a IA é utilizada de maneira que as pessoas não fiquem dependentes em usá-la, pois ela não é uma inteligência totalmente confiável e segura para depender dela excessivamente”, conta Mariana.

“Usar a ferramenta sem um senso crítico é potencialmente danoso, trazendo prejuízos na formação de conteúdo e aula; visto que a inteligência artificial não é isenta de falhas nem tem senso crítico para julgar um conteúdo dentro de diferentes perspectivas acadêmicas”, complementa Vecchine.

A dimensão de qualidades da IA, porém, é imensa. Pode auxiliar o professor na elaboração do conteúdo de aula, textos, imagens, infográficos, exercícios e outra infinidade de possibilidades.

“Ela pode ajudar o professor na automação das tarefas, das atividades diárias, de correção, de feedback... Mas, além dessas, ela vai estar muito ligada com o tipo de metodologia que o professor está abordando. Para ela funcionar, a disciplina tem de estar nessa linha de metodologias ativas, porque você coloca o aluno como o principal responsável pelo processo de aprendizagem”, explica o professor Marlon.

SEM DOCENTE?
Vecchine acredita que, de maneira alguma, a IA irá substituir o papel do docente. “Uma das principais questões sobre a educação é a proximidade entre docente e discente. Educar vai além do conteúdo formal, a socialização e o vínculo são elementos fundamentais para a formação de cidadãos; não creio nessa substituição”, declarou.

“A IA não ameaça o emprego dos docentes. É claro que muda a forma como o que o conteúdo precisa ser ensinado. Aqueles conteúdos que são mais de ‘decoreba’, mais automáticos, começam a perder espaço com a chegada da IA. Mas é questão de adaptação. O contato, a percepção, sensibilidade humana são insubstituíveis”, endossa o professor Marlon.