11 de janeiro de 2026
ARTIGO

A Taxonomia Sustentável Brasileira não é modismo

Por Alex Madureira |
| Tempo de leitura: 3 min

A Taxonomia Sustentável Brasileira não é modismo nem rótulo publicitário: é uma régua técnica que separa promessa de entrega, orienta o crédito e dá segurança a quem investe e a quem recebe o investimento. Define com clareza quais atividades econômicas merecem ser chamadas de sustentáveis e, ao fazer isso, protege contra o greenwashing, organiza prioridades do poder público e amplia o acesso a capital mais barato para projetos com benefícios mensuráveis.

Por que isso importa para a sua vida? Porque dinheiro segue regra. Quando bancos, fundos e governos falam a mesma linguagem, a conta de luz da escola pode cair com telhado solar financiado a juros menores, o posto de saúde atende com conforto, a iluminação de LED torna a rua mais segura, o ônibus elétrico diminui ruído e poluição, a moradia popular bem ventilada melhora a qualidade de vida e baixa a fatura de energia.

No campo, a TSB direciona crédito para irrigação eficiente, manejo de solo, bioinsumos, recuperação de áreas degradadas e integração lavoura-pecuária-floresta.

Quem adota boas práticas acessa juros menores, aumenta produtividade, ganha resiliência climática e reputação em mercados exigentes.

Nas cidades, retrofits, reuso de água e gestão de resíduos geram empregos técnicos, fortalecem empresas e ativam economias locais. Cada real aplicado com critério retorna em saúde, segurança, eficiência e competitividade.

Como deputado estadual, acredito em alinhar compras, obras e concessões à TSB, com metas, indicadores auditáveis e divulgação periódica, priorizando projetos certificados, reduzindo risco jurídico e valorizando quem entrega desempenho social e ambiental, não apenas o menor preço.

Também é essencial oferecer assistência técnica a municípios e empreendedores para estruturar projetos viáveis, padronizar documentos e facilitar o acesso a fundos de fomento e debêntures incentivadas, agilizando aprovações e custos menores. Quem tem um bom projeto não pode se perder na burocracia.

Transparência é outro pilar: um painel público, simples e acessível, deve mostrar economia de energia e água, empregos gerados, emissões evitadas e impacto social. Sem dado não há gestão, com dado há confiança, controle social e participação cidadã.

A TSB não substitui responsabilidade fiscal, planejamento ou prudência regulatória, ela organiza prioridades, combate desperdícios e oferece previsibilidade. Em vez de pulverizar recursos em iniciativas isoladas, concentra-se no que gera benefício e entrega valor público.

Sustentabilidade, aqui, é quando a criança atravessa a rua sem alagamento, quando a mãe encontra água tratada, quando o ônibus passa no horário e não intoxica o ar, quando o comércio paga menos na fatura e contrata mais um funcionário. É serviço público que melhora, é empresa que inova, é emprego que aparece.

Para que isso aconteça, precisamos de cooperação e seriedade: reguladores atualizando critérios com base em evidências, bancos e fundos ofertando produtos compatíveis e custos honestos, empresas planejando e reportando com rigor, governos locais recebendo suporte técnico para montar boas carteiras de projetos, e o cidadão fiscalizando e participando, pois a melhor política pública nasce do diálogo transparente e da cobrança legítima por resultados.

A Taxonomia Sustentável Brasileira transformará bons princípios em critérios objetivos e estes em oportunidades concretas para cada bairro, produtor e empreendedor responsável. Meu compromisso é trazê-la do papel para as ruas do nosso estado, com metas, prazos, fiscalização e respeito ao dinheiro público.

Quando o investimento certo encontra o projeto certo, quem ganha é a população, hoje e amanhã.

Alex Madureira é Deputado Estadual na ALESP.