O julgamento sobre a participação de Jair Bolsonaro na organização que tentou minar a democracia avançou nesta terça-feira (9) no Supremo Tribunal Federal (STF). Até o momento, o placar registra 2 a 0 a favor da condenação dos réus, após os votos dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. A sessão retomou às 9h desta quarta-feira (10), com a expectativa pelo voto do ministro Luiz Fux.
Moraes aponta Bolsonaro como líder
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, dedicou mais de cinco horas para apresentar seu voto. Ele definiu Bolsonaro como “líder da organização criminosa” e reforçou que anotações golpistas não podem ser tratadas como um “diário pessoal”. Moraes destacou o uso de órgãos públicos para desacreditar o sistema eleitoral e perpetuar o poder, pedindo a condenação de todos os envolvidos na trama.
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Após o intervalo, o ministro Flávio Dino apresentou seu voto. Embora também tenha defendido a condenação geral dos réus, Dino fez ressalvas em três casos: Augusto Heleno (ex-chefe do GSI), Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin) e Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa). Segundo ele, os níveis de responsabilidade dentro da organização criminosa diferem entre os réus, e, portanto, as penas devem refletir essas diferenças.
A sessão também ficou marcada pelas interrupções do ministro Luiz Fux, que questionou Moraes em dois momentos, mesmo antes de apresentar seu voto. Especialistas apontam essas intervenções como os primeiros sinais de divergência dentro do STF sobre o caso.
Além de Fux, os ministros Cármen Lúcia e Cristiano Zanin ainda vão votar, mantendo o julgamento em andamento e sob atenção nacional. A expectativa é que as próximas sessões definam as condenações e penas finais para todos os envolvidos na trama.