09 de julho de 2026
SAÚDE!

Chá verde mostra efeito no controle da glicose e obesidade; veja

Por Will Baldine | Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução

Pesquisadores da Universidade Cruzeiro do Sul divulgaram um estudo que investiga os efeitos do chá verde em contextos relacionados à obesidade e à resistência à insulina. A pesquisa foi publicada em junho de 2025 na revista científica Cell Biochemistry & Function.

O experimento utilizou camundongos submetidos a dietas com alto teor de gordura e açúcar. Parte dos animais recebeu extrato padronizado de chá verde durante 12 semanas, em uma dose que corresponde aproximadamente ao consumo diário de três xícaras da bebida por um adulto humano.

Metodologia do Estudo

A equipe, coordenada pela professora Rosemari Otton, manteve os animais em ambiente com temperatura de 28?°C, condição conhecida como termoneutralidade. A escolha dessa faixa térmica teve o objetivo de evitar que o frio influenciasse os resultados, já que temperaturas mais baixas aumentam o gasto energético dos animais.

Segundo os pesquisadores, a administração do extrato resultou em perda de peso, melhora na tolerância à glicose e aumento da sensibilidade à insulina. Além disso, foi observada preservação da estrutura muscular, com manutenção do diâmetro das fibras, e aumento da expressão de genes relacionados ao uso da glicose pelos músculos. Também foi registrada a recuperação da atividade da enzima lactato desidrogenase, que participa do metabolismo energético.

Mecanismos Biológicos Observados

Os dados sugerem que o chá verde atua de forma mais evidente em situações de acúmulo de gordura corporal. Nos animais com peso dentro dos parâmetros considerados normais, o consumo do extrato não resultou em alterações significativas, o que indica um possível efeito direcionado.

A equipe também examinou a participação da proteína adiponectina, produzida pelas células de gordura e envolvida na regulação de processos metabólicos. Em animais geneticamente modificados para não produzir essa proteína, os efeitos do chá verde não foram observados, o que aponta para um possível papel da adiponectina no mecanismo de ação do extrato.

Considerações Sobre o Consumo Humano

A professora Rosemari Otton afirma que, embora os resultados em animais sejam relevantes, ainda não há definições sobre doses ideais para humanos. De acordo com ela, os efeitos positivos observados em populações que consomem chá verde regularmente, como em países asiáticos, estão associados ao uso contínuo e de longo prazo, e não a intervenções de curta duração.

A pesquisadora também chama atenção para a qualidade do produto disponível no mercado. Segundo ela, nem todos os chás industrializados apresentam concentração adequada dos compostos bioativos. O uso de extrato padronizado, como o encontrado em farmácias de manipulação, pode garantir a presença dos flavonoides, substâncias estudadas por seus efeitos metabólicos.

Perspectivas

A pesquisa contribui para o debate sobre alternativas não farmacológicas no enfrentamento da obesidade e da resistência à insulina. Embora mais estudos sejam necessários para validar os efeitos em humanos, os dados obtidos reforçam o interesse em estratégias baseadas em compostos naturais como complemento a outras abordagens já existentes.