A Prefeitura de Piracicaba anulou a licitação para a construção da escola municipal de educação infantil e ensino fundamental de Santana, que atenderia as crianças do bairro e também as de Santa Olímpia.
Aguardada há mais de dez anos, a obra foi anunciada pelo ex-prefeito Luciano Almeida (PP) e uma licitação foi marcada para outubro de 2024, depois adiada para novembro, mas não foi realizada. Em abril deste ano, a prefeitura informou que o processo de construção havia sido readequado e a licitação seria lançada em até 30 dias.
A escola, que já tem área destinada, seria construída na rua São João Batista e a capacidade seria para atender até 526 alunos em período parcial, sendo 312 crianças na educação infantil e 214 no ensino fundamental. Com o novo projeto, a obra, que estava estimada em R$ 17,6 milhões, caiu para R$ 14,2 milhões.
Saiba Mais:
“As reações do pessoal do bairro são as piores possível”, disse uma moradora de Santa Olímpia. Atualmente, a escola municipal do Bairro Santana conta com apenas duas salas. Além delas, outras duas salas foram emprestadas pela Escola Estadual Dr. Samuel de Castro Neves para acomodar os alunos. Além disso, a escola faz uso da quadra da escola estadual, porém, só consegue utilizar o espaço uma vez por semana, o que limita as aulas de educação física que muitas vezes ocorre dentro das salas de aula. As festas da escola são realizadas no centro comunitário e na paróquia local, pela falta de espaço adequado para esse fim.
O Jornal de Piracicaba questionou a prefeitura sobre o cancelamento da licitação. “Estamos trabalhando com responsabilidade para colocar as finanças do município em dia. Isso exige ajustes temporários nos investimentos, como a construção da nova escola, que será retomada com segurança assim que os recursos forem captados”, informou.
Ainda de acordo com o Executivo, “a construção da escola está sendo inserida com ação no Novo Par - Plano de Ações Articuladas, que presta apoio técnico e financeiro do governo federal aos estados e municípios.”
Por fim a Prefeitura esclareceu que concorda com a necessidade da construção da Escola no Bairro Santana e está em busca de parcerias com o governo Federal.
Veja abaixo relatos enviados ao JP por pais de alunos dos dois bairros, indignados com a decisão do prefeito Helinho Zanatta:
"É inadmissível que, após tantos anos de reivindicação, a construção da escola municipal nos bairros Santana e Santa Olímpia continue apenas como promessa não cumprida. As crianças do Ensino Fundamental I (2º ao 5º ano) estão sendo obrigadas a dividir o mesmo espaço físico, inclusive banheiros, com adolescentes do 6º ano até o Ensino Médio na EE Dr. Samuel de Castro Neves. Essa realidade é preocupante, pois não respeita as necessidades específicas de cada faixa etária, expondo as crianças a situações de convivência inadequadas e comprometendo sua segurança e bem-estar. Além disso, essas turmas ocupam salas improvisadas e não têm total acesso aos espaços externos da escola estadual, o que limita profundamente o desenvolvimento de atividades pedagógicas essenciais. Essa condição precária não condiz com o direito básico à educação de qualidade, prevista em lei, e representa uma negligência com a infância.
Para agravar ainda mais a situação, a licitação para a construção da nova escola — que já estava em fase de abertura de envelopes no final do ano passado — foi bloqueada por integrantes da atual gestão da prefeitura, e a verba destinada à obra foi remanejada. Essa decisão revela descaso e falta de compromisso com a educação e com o futuro das nossas crianças. As famílias e, principalmente as crianças, merecem uma resposta concreta e urgente. Não podemos mais aceitar que a infância delas seja marcada por improvisos e descaso. É preciso que o poder público assuma sua responsabilidade e dê prioridade imediata à construção da escola municipal, garantindo um espaço digno, seguro e adequado para o aprendizado e a formação das futuras gerações"
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"A frustração é de décadas! Pois todos os governos reconhecem a contribuição centenária das comunidades principalmente na cultura do município, mas não retribuem na mesma proporção. Além da distância que ficamos à mercê para outros recursos. A indignação maior é a prefeitura reconhecer a necessidade além de assumir o compromisso da construção. E anular o processo alegando que validaria as licitações, mas ao invés disso, usou a verba para outras demandas do município e não prestou contas para as comunidades que já estavam contando com a escola uma vez que já licitação já estava aberta"
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"Sou morador de Santa Olímpia, descendentes de tiroleses que saíram da Itália no fim do século XIX. Mesmo diante das dificuldades deixaram-nos a Fé e uma Cultura sólida que, mesmo com mudanças profundas das últimas décadas, não a perdemos. Outra característica marcante dos nossos bairros é o carinho, a preocupação e zelo com a EDUCAÇÃO. Nossa escola sempre figurou entre as melhores do Estado, fruto da dedicação do corpo docente e do engajamento das comunidades. Ocorre que o Estado ao longo das últimas décadas deixou a cargo dos municípios às primeiras etapas e o Fundamental 1. Infelizmente nossa escola foi esquecida e "empurraram com a barriga" a municipalização do fundamental 1 já que teriam que construir um novo prédio. Por muitos anos nossa unidade estava vinculada a duas outras escolas. Chegamos ao ponto de ter 4 escola um mesmo prédio. Depois de muita lutas conseguimos ter nossa escola na gestão Luciano Almeida . Porém, não o prédio físico. No fim do mandato do Luciano, em dezembro, foi licitada a construção, mas impugnada a pedido da atual gestão. Conversas mensais com representante do governo Helinho nos deixaram esperançoso, mas como sempre a mesma enrolação. Não tem verba, não tem verba. Porém, fica a pergunta: se a obra foi pra licitação onde foi parar essa verba? Pergunta simples que estamos esperando há meses. Enquanto isso, que tem condições paga escola privada? Parabéns, vão conseguir destruir as coisas mais belas das nossas comunidades: a UNIÃO"
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"É revoltante a negligência e ineficácia das gestões da prefeitura de Piracicaba ao longo dos anos, em vários sentidos, e aqui falo especialmente da educação, da educação infantil, da educação das crianças de Santa Olímpia e Santana e dos alunos das proximidades que ali estudam. Na escola Samuel de Castro Neves, temos uma situação absurda. Alunos do ensino infantil, crianças de sete anos de idade, tendo que dividir o mesmo espaço com adolescentes de dezessete anos. Uma escola municipal, da prefeitura de Piracicaba, tendo que usar o espaço de uma escola do estado de SP. Consequentemente, amontoam-se alunos em salas de aula superlotadas, por falta de espaço.
Todos os prefeitos, em campanha, dizem que farão diferente, mas, após a posse, fazem o mesmo. Os pais dos bairros já citados lutam pela construção de uma escola municipal há pelos menos 15 anos e não houve um único prefeito que cumprisse sua propaganda de campanha, "lutar por uma educação melhor". Todos eles deram a mesma desculpa, "falta de verbas". Há verbas para construir estradas, pontes, comprar carros... tudo, menos para construir uma escola. Inclusive, a verba para a construção da escola infantil já havia sido aprovada pela gestão passada, mas o atual prefeito colocou entraves. O atual prefeito vai seguir o mesmo caminho? Não adianta dizer que está sensibilizado com a demanda dos bairros e não fazer nada. Helinho, eu pergunto: você se responsabilizará se algo grave acontecer como consequência da convivência entre crianças e adolescentes? Por que não vem até os bairros para discutir propostas concretas?
Nós pais não aceitaremos mais desculpas. Estamos nos mobilizando, iremos à mídia, iremos as redes sociais dos políticos responsáveis. Exigimos o básico, uma educação de qualidade e iremos conquistar, custe o que custar".