09 de julho de 2026
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‘Febre’ no mercado, canetas emagrecedoras podem oferecer riscos

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação 
As canetas são originalmente indicadas para o tratamento de diabetes tipo 2

Nos últimos anos, as chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam destaque entre pessoas que desejam perder peso de forma rápida devido à eficácia notada em alguns pacientes que fizeram uso desse medicamento. O tratamento é por meio de aplicações de injeções subcutâneas, que atuam no controle do apetite e na regulação da glicose. Apesar de parecerem uma “solução milagrosa”, seu uso requer atenção, orientação médica e responsabilidade, afirmam os especialistas.

As canetas emagrecedoras, como a semaglutida (comercializada como Ozempic, Wegovy) e a liraglutida (Saxenda), são originalmente indicadas para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Elas imitam um hormônio chamado GLP-1, que ajuda a controlar a saciedade, o apetite e os níveis de açúcar no sangue.

Um grande problema, no entanto, é a crescente automedicação, que pode trazer sérios riscos à saúde. Esse uso indiscriminado fez com que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibisse neste ano a venda sem a prescrição médica.

O médico Ciro Gatti Cirillo, conselheiro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) informou que essas canetas são indicadas para auxiliar o tratamento de pessoas acima de 18 anos que possuem diabetes tipo 2.

“Acontece que essas canetas têm como feito colateral o emagrecimento. E hoje vários pacientes têm procurado auxílio médico para emagrecer fazendo uso desse tipo de medicação”, explicou. “Essa medicação auxilia sim no emagrecimento, uma vez que ela diminui o apetite dos pacientes que fazem esse uso”, acrescentou.

O conselheiro do Cremesp lembrou, no entanto, que é importantíssimo o paciente ser acompanhado por médico, pois há muitos efeitos colaterais, como náusea, diarreia, vômito, gastrite, entre outros. “O ideal seria o paciente ser acompanhado por um endocrinologista, além de um nutricionista, psicólogo e até um educador físico”, declarou.  

RECEITA RETIDA 
Deste o dia 23 de junho deste ano, farmácias e drogarias de todo o país começaram a reter receitas desses medicamentos. A categoria inclui a semaglutida, a liraglutida, a dulaglutida, a exenatida, a tirzepatida e a lixisenatida.

A decisão por um controle mais rigoroso na prescrição das canetas emagrecedoras foi tomada pela diretoria colegiada da Anvisa em abril e entrou em vigor 60 dias após a publicação no Diário Oficial da União.
Em nota, a agência informou que a medida tem como objetivo proteger a saúde da população brasileira, “especialmente porque foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas pela Anvisa”.

A reportagem do Jornal de Piracicaba foi nesta semana, de forma anônima, a cinco drogarias da cidade para verificar se essa determinação está sendo cumprida à risca. Do total de estabelecimentos visitados, 100% estavam dentro das normas: quatro exigiram o receituário medico e uma quinta informou que “agora somente com receita”.

Utilizar medicamentos sem prescrição médica é uma prática arriscada, na visão de especialistas. Além dos efeitos adversos, há o risco de adquirir produtos falsificados ou de origem duvidosa, especialmente quando comprados pela internet ou em fontes não confiáveis.