10 de julho de 2026
SAÚDE

Secretaria de Saúde registra 890 casos de virose em 10 dias

Por Reinaldo Diniz | Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Vigilância Epidemiológica monitora a situação, com acompanhamento de quatro unidades de saúde.

Piracicaba pode ser afetada pelos reflexos da virose gastrointestinal que atingiu o litoral paulista há cerca de 10 dias. O alerta é da enfermeira Isely Gusmão, responsável pelo setor de Epidemiologia e Controle de Doenças da Vigilância Epidemiológica. Ela destacou que o retorno das férias, nos próximos dias, pode alterar o cenário epidemiológico no município.

Veja mais: 

Até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde informou que não houve aumento significativo nos casos da virose gastrointestinal no município. Nos dez primeiros dias de janeiro, houve uma redução de 25,4% na incidência de casos, em comparação com o mesmo período de 2024. Foram registrados 1.193 casos no ano passado, enquanto em 2025 o número caiu para 890.

A secretaria também destacou que a Vigilância Epidemiológica segue monitorando a situação, com o acompanhamento sendo realizado por meio de quatro unidades sentinelas, localizadas nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Cuidados – O infectologista Leonardo Weissmann, do Instituto Emílio Ribas e do Hospital Regional de Itanhaém, consultado pelo Jornal de Piracicaba, explicou que a infecção (chamada de gastroenterite) é causada por vírus que afeta principalmente o sistema digestivo, causando inflamação no estômago e nos intestinos, levando a sintomas como diarreia, vômitos, dores abdominais e, em alguns casos, febre. “Esses sintomas têm início rápido, geralmente entre um e três dias. Na maioria dos casos, os sintomas duram de dois a três dias, mas pode variar dependendo da gravidade da infecção, do tipo de vírus envolvido e da condição de saúde da pessoa infectada”, explicou o infectologista, ao destacar que os vírus mais comuns são o rotavírus, o adenovírus, o astrovírus e o norovírus, transmitidos principalmente por via fecal-oral.

“Isso pode ocorrer através do consumo de alimentos ou água contaminados, contato direto com superfícies contaminadas ou contato próximo com uma pessoa infectada. Embora a transmissão principal seja fecal-oral, em casos raros o vírus pode ser transmitido pela saliva”, salientou.

Weissmann reforçou que a ocorrência das viroses não é necessariamente maior em altas temperaturas. “Pode variar dependendo da estação do ano. Por exemplo, o rotavírus é mais comum em climas frios, enquanto outros vírus, como o norovírus, podem ocorrer durante todo o ano. Em regiões tropicais, as infecções acontecem ao longo do ano, sem uma relação tão forte com a estação”, reforçou.

A hidratação é fundamental para os cuidados com as viroses gastrointestinais, já que a diarreia e os vômitos podem causar desidratação rapidamente. O especialista indica repor líquidos e sais minerais por meio de água, soro de reidratação oral, que pode ser encontrado em farmácias, água de coco ou chás claros. Em alguns casos, medicamentos para náuseas, vômitos ou dores podem ser indicados por um médico. Na avaliação do infectologista, antibióticos não são necessários, pois as viroses não são tratadas com eles.