09 de julho de 2026
GLICÍNIA PEDROSO

Propósito de vida – carreira enfermagem

Por Da Redação | redacao@jpjornal.com.br
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Will Baldine/JP

No dia 12 de maio é comemorado mundialmente o Dia da Enfermagem e o Dia do Enfermeiro. A data foi escolhida em homenagem a Florence Nightingale, símbolo da enfermagem moderna, que nasceu em 12 de maio de 1820. E a cada cinco ou seis anos, em média, dependendo do calendário, também se comemora o Dia das Mães. Esse ano, por coincidência, na mesma data, comemora-se o Dia das Mães. Tanto mães quanto enfermeiras e profissionais da enfermagem trazem em sua essência o cuidado. E neste especial, a entrevista é com Glicínia Rosilho Pedroso, que, além de mãe, é enfermeira. 

Aos 53 anos, ela tem uma longa trajetória profissional: atuou no hospital, como docente de Enfermagem e hoje está à frente da PAIVACIN, clínica especializada em imunização que há mais de duas décadas oferece vacinas para todas as idades.

Formada pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu em 1992, Glicínia trilhou um caminho de excelência na Enfermagem. Após especializar-se, em 1994 iniciou sua carreira profissional na Santa Casa de Piracicaba, onde permaneceu por 21 anos, trilhando uma carreira sólida e de constante atualização.

Na Santa Casa, junto com um grupo de médicos, participou da implantação, em 1995, da primeira UTI neonatal da região, referência no atendimento a recém-nascidos de alto risco. Permaneceu como coordenadora da unidade até o final de 2010, quando foi convidada para um novo desafio: assumir o cargo de enfermeira da qualidade, com a função de fortalecer, institucionalmente, a cultura de segurança do paciente, importante componente estrutural de instituições de saúde que primam por práticas seguras garantindo uma melhor assistência aos pacientes.

Paralelamente ao seu trabalho hospitalar, Glicínia dedicou-se à docência em enfermagem, ministrando aulas tanto em nível técnico quanto superior. Sua intensa motivação pelo desenvolvimento e aprendizado constante, a levou a uma construção de uma carreira sólida e especializada. A paixão pelo ensino e pela pesquisa a levou a caminhar na jornada acadêmica, obtendo o título de Mestre em Enfermagem Pediátrica pela Escola de Enfermagem da USP (Universidade de São Paulo). O Doutorado era um novo objetivo na jornada e este seria ainda mais desafiador: era impossível conciliar o trabalho com a vida acadêmica e familiar. Assim, em 2015, desligou-se da Santa Casa, mantendo-se ativa no campo educacional. Em 2019, obteve o título de Doutora em Enfermagem pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Sua jornada na PAIVACIN começou em fevereiro de 2020, pouco antes do início da pandemia, quando assumiu a coordenação administrativa. O compromisso em estar sempre atualizada a fez se especializar, é membro da SBIM (Sociedade Brasileira de Imunização) e faz parte do Conselho Deliberativo da ABCVac (Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas). Nesta entrevista ao Jornal de Piracicaba, Glicínia conta de sua carreira profissional, seus propósitos de vida e sobre sua determinação em oferecer um cuidado diferenciado.

Como surgiu o seu interesse pela enfermagem? Eu sempre soube o que eu queria fazer. Eu queria cuidar, estar junto, fazer uma série de procedimentos, aplicar medicamentos, realizar curativos, conversar. Fazer a diferença em um ambiente de saúde. Eu sabia exatamente o que queria. Mas eu não sabia que isto era a Enfermagem. Foi uma descoberta. E a cada dia, a cada descoberta que a profissão ia me proporcionando na graduação, mais e mais eu tinha a certeza de que estava no caminho certo e de que tinha escolhido a profissão que sempre desejei. Assim, posso dizer que sou apaixonada pela Enfermagem porque eu descobri a Enfermagem. A enfermagem é uma profissão que tem múltiplas facetas de atuação. Há ciência em tudo o que fazemos e é preciso muita sensibilidade e determinação para poder “dar conta” das muitas demandas da profissão. Estudar é fundamental. Atualizar-se é mais que uma obrigação, é um compromisso para que se possa fazer bem. Não basta apenas fazer. É preciso fazer sempre o nosso melhor, seja qual for a área em que estejamos atuando.

Como você vê o papel da enfermagem? A enfermagem ganhou destaque na pandemia. Para muitos, ainda é uma profissão desconhecida. Mas somos protagonistas no cuidado. E fundamentais. Não acredito que seja uma ousadia minha dizer que, em muitas situações, sem a enfermagem o cuidado não pode ser realizado. Na saúde não há um único profissional que possa ter sucesso de maneira isolada. É um conjunto, um time. Médicos atuam juntos com enfermeiros, psicólogos, farmacêuticos, nutricionistas e fisioterapeutas. Enquanto time, somente juntos, conseguimos o sucesso. Saberes que se complementam, se respeitam e se movimentam em uma única direção: a busca pelo bem maior daqueles que cuidamos. Não há sucesso em nosso cuidado se não caminharmos juntos. Acredito que há ainda um longo caminho a ser desbravado. E entendo que, somente a construção e evolução de nossos conhecimentos pode contribuir para a visibilidade, para o respeito de nosso trabalho. Enfermagem é arte, é ciência. E ciência requer muito estudo, muito desenvolvimento. É um aprendizado contínuo.

Como você acompanha e se mantém atualizada sobre as novas tecnologias e práticas de enfermagem na área da imunização e cuidados pediátricos? Atualização é algo muito importante. E, para mim, essencial. A enfermagem é uma profissão que tem, entre seus profissionais, diferentes níveis de formação e de conhecimento. O auxiliar e o técnico de enfermagem são aqueles que têm formação em nível técnico, com conhecimentos e possibilidades de atuação conforme seu grau de formação. Enfermeiro é o profissional formado em nível superior. Entendo que, pela própria responsabilidade que a formação confere a este profissional, atualizar-se é imperativo. No mundo em que vivemos, as mudanças fazem parte do cotidiano. E são muito... muito velozes... Temos que estar sempre inquietos e prontos para buscar conhecimento. As possibilidades são muitas: cursos, leitura de textos e artigos científicos são possibilidades. Mas é preciso saber que as redes de apoio - sociedades, vínculos profissionais com instituições de ensino e pesquisa – trazem muitos benefícios e permitem trocas e relacionamentos positivos. Importante destacar que é preciso sempre se atualizar em fontes de informação científica. E mais, compartilhar informações verdadeiras e corretas é algo fundamental. 

Hoje, você trabalha na Clínica PAIVACIN. Quais são os propósitos da clínica? Antes de falar da PAIVACIN é importante saber que vacinas estão disponíveis tanto na rede pública quanto na rede privada. Ambas oferecem imunobiológicos aprovados pela Anvisa, seguros e eficazes. Contudo, há diferenças entre as vacinas do SUS e da rede privada. As vacinas oferecidas pela rede pública, pelo SUS, seguem as diretrizes do Programa Nacional de Imunização (PNI), o qual utiliza a estratégia da saúde coletiva, a qual levando em conta as estatísticas de saúde da população e da cada país segue um calendário específico. A PAIVACIN é uma clínica privada de vacinação e entre os seus propósitos está a saúde de cada pessoa, ou seja, atua tendo como atenção o bem-estar individual, oferecendo todas as vacinas conforme as recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) e demais que representam as várias especialidades médicas. Além de ter disponível todas as vacinas recomendadas por estas sociedades, há outras diferenças entre as vacinas da rede pública e da rede privada, como o número de doses e picadas, a redução das reações após aplicação da vacina e a amplitude de proteção conferida pela vacina. Essa informação e conhecimento é muito importante pois possibilita que as escolhas sejam mais conscientes. Outro ponto muito importante é que temos como compromisso tornar a experiência de imunização a melhor possível. Buscamos a cada dia fazer o nosso melhor. Nossa equipe é pequena, mas muito bem formada e atualizada. Sabemos que a imunização é, para muitos, um momento de terror. Geralmente o grande vilão é a agulha. O medo que ela causa é devastador para muitos, sejam adultos, sejam crianças. É possível tornar a picadinha uma situação mais confortável e o desconforto da vacina algo pouco perceptível. O nosso compromisso é com o cliente, com a lembrança e com a experiência dele naquele momento. Para isso, todos os dias nos esforçamos para fazer o melhor na abordagem, na aplicação e na informação para entendimento. Acredito que somente isto pode tornar a situação vivida menos traumática e desconfortável.

Como você lida com situações de resistência ou medo por parte dos pacientes em relação à imunização, especialmente crianças? Respeito. Não se pode, muitas vezes, desfazer lembranças e experiências ruins. Também não se pode impor comportamentos. Pode-se sim respeitar e apresentar limites. E nunca mentir. Eu tenho pânico de agulhas. Pode parecer algo estranho, mas isto é muito verdadeiro e, até hoje, apesar de mais madura, tenho limites e medos que tem que ser superados. Eu entendo cada comportamento. E me vejo em muitas crianças e adultos também. Não me envergonho em compartilhar isto. Ao contrário. Me esforço a cada cliente, para que eles consigam vencer seus medos como eu venço os meus. Afinal, em muitas situações não há escolha. Há muitas estratégias para minimizar os desconfortos das aplicações. E acima de tudo, comemorar cada vitória é importante. Destaco que não é comemorar se não chora, se não grita. É comemorar pequenas conquistas. ‘Hoje gritei, mas não mexi o braço’ – vitória! E vamos comemorar! Assim deve ser tudo na vida: comemorar cada pequena vitória!

Como PAIVACIN contribui para a conscientização sobre a importância da imunização e cuidados? Informação é tudo. As vacinas evitam milhões de mortes por ano no mundo e reduzem a chance de sequelas causadas pelas doenças. Evitar internações e sequelas são formas de melhoria na qualidade de vida. Assim, nosso compromisso é sempre em informar corretamente àqueles que nos procuram. Seja para compra de vacinas, seja apenas para tirar dúvidas. Quero que fique claro que, apenas informações em fontes corretas podem contribuir para que consigamos manter os nossos níveis de cobertura vacinais seguros a ponto de não corrermos o risco de doenças que já não nos assustam mais, voltarem. Temos um canal na rádio onde passamos informações semanais, o Dica do Especialista, que ocorre antes do programa Pânico. Qualquer um pode entrar em contato conosco e informar-se também, seja a respeito de vacinas disponíveis em clínicas privadas seja sobre vacinas disponíveis na rede pública.

Qual a importância de incentivar os pais para a imunização? Acredito que os pais são um dos pilares mais fortes no sentido de informação e formação à conscientização no futuro da criança. É na infância que se concentra o maior número de vacinas. Assim, são eles que, nesta etapa da vida, podem atuar como referência e incentivo para a responsabilidade no cuidado e na saúde. Mas vale destacar que as vacinas não são somente para crianças. Há vacinas para todas as idades e é preciso se vacinar, se proteger e proteger o outro. Mas esta é conversa para uma outra entrevista. Afinal, falar sobre vacinas é um tema bem amplo e a gente pode combinar isso depois.  Vamos falar de crianças. Na infância são os pais quem têm o cuidado da criança, então é deles este movimento de levar para a vacinação. Vou fazer um destaque aqui. Hoje é o Dia das Mães. Eu quero reverenciar aqui todas! Seu papel é fundamental na vida da criança. Em especial na imunização, o cuidado começa com ela, com as vacinas que ela toma durante a gravidez, com o objetivo de proteger o bebê. Somente informação correta, compreensão, respeito e atenção podem contribuir para a vacinação. Nós profissionais de saúde temos que estar atentos a tudo o que possa atuar no sentido de evitar que as mães possam hesitar em levar os filhos para vacinar. Muitas vezes o desconforto que algumas vacinas podem provocar é o que contribui para evitar a vacinação. O medo de eventos adversos, o medo do desconforto que a vacina pode ocasionar, o medo da febre. Acredito que a orientação e o apoio diante dessas situações, a confiança na presença do profissional, as estratégias para reduzir o desconforto da aplicação podem contribuir para reduzir que os pais hesitem em vacinar seus filhos.