Já se foi o tempo em que, para ganhar em dólar ou euro, era obrigatório sair do Brasil e se mudar para longe da família e dos amigos, além de ter que se adaptar a outra cultura, muitas vezes, bem diferente da brasileira. Trabalhadores brasileiros têm encontrado oportunidades de realizar seu trabalho em casa, mas para empresas localizadas em outros países.
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Ricardo Ayres é uma dessas pessoas. Ele decidiu trocar o emprego como diretor de estudos físico-químicos em um laboratório de análises agroquímica por um trabalho como analista de sustentabilidade em uma empresa de Cingapura, após a indicação de um amigo, com quem ele trabalhou na mesma empresa que estava antes da mudança. “Resolvi aceitar pela diferença significativa de remuneração. Na época, a primeira proposta já era o triplo do meu salário como cientista”, contou. Apesar da vantagem, Ricardo afirma que o trabalho remoto possui alguns contras. “Por ser uma empresa de outro país, não há vínculo empregatício de fato, e não existe nenhum benefício ou direito trabalhista”, contou.
De acordo com o presidente do Conselho da Atlas Contabilidade e Inteligência para Gestão, Marcelo Voight Bianchi, o mercado internacional descobriu o potencial do trabalhador brasileiro, e os brasileiros perceberam as vantagens de se trabalhar para empresas estrangeiras de maneira remota. “Além do salário mais alto, conhecem métodos de trabalho diferentes, o que traz novas experiências”, disse. Segundo Bianchi, essa situação representa um problema para o mercado de trabalho brasileiro.
“É mais um problema a ser decifrado, pois a nossa moeda é muito mais desvalorizada, o que é uma desvantagem imensa em relação a remuneração”, disse. “É um risco para o mercado de trabalho brasileiro. A legislação precisa acompanhar essas mudanças e proporcionar maior flexibilização, sem trazer riscos para ambos os lados, caso contrário, o Brasil perderá os melhores profissionais”, completou Bianchi. “Outra situação relevante é o custo da contratação de um trabalhador. A tributação da folha, além de encarecer a contratação, contribui para o achatamento de salários”, finalizou o especialista.
Apesar disso, Ricardo afirma: não pretende voltar a trabalhar como CLT para uma empresa brasileira em breve. “Após mais de dois anos nessa posição, acredito que só volto a trabalhar nos moldes tradicionais para uma empresa brasileira por necessidade, ou no caso da remuneração superar a atual, do contrário não me vejo retornando à CLT em nenhum futuro próximo”, disse.
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