09 de julho de 2026
EPIDEMIA DE DENGUE

VÍDEO: ‘A limpeza das paredes dos criadouros é fundamental para vencer o mosquito'

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 4 min
Fiocruz/Divulgação
Piracicaba já registrou mais de 1.100 casos de dengue neste ano

O engenheiro agrônomo Antônio Oswaldo Storel Junior, doutorando da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) faz um alerta: se a população não se conscientizar de que a “luta” contra o mosquito Aedes aegypti passa diretamente pelo cuidado que cada um deve ter em suas casas, cuidando de possíveis criadouros, os casos de dengue só vão aumentar nos próximos dias, meses e anos.  

“Por que em todo o Verão nós perdemos a batalha para o mosquito da dengue? É fundamentalmente porque nós não conseguimos diminuir a população de mosquitos, que é o vetor das doenças. Para diminuir a população de mosquitos, o Poder Público tem de fazer a sua parte, principalmente na coleta de resíduos, eliminando criadouros resultantes do descarte irregular dos resíduos sólidos”, explicou o especialista.

“Agora, a população é o fator fundamental porque a maioria dos criadouros está nas casas. O mosquito se adaptou para ficar perto das pessoas para buscar o seu sangue. Então, a fêmea do mosquito precisa do sangue das pessoas para formar os ovos”, explica Storel Junior. “E os ovos são a fase mais estratégica do mosquito e a fase menos conhecida, menos falada e a fase menos enfatizada nas campanhas de convencimento da população. Então, nós falamos para a população: não deixe água parada”, complementa. 

Storel Junior explica que, ao limpar vasos e plantas, calhas e outros possíveis criadouros do mosquito, a população jamais deve jogar essa água parada no ralo. “O ralo é um ambiente melhor ainda para a reprodução do mosquito. A água parada deve ser jogada no cimento quente, na terra ou na areia. Ela não pode ser jogada em ambientes onde ela vai ser acumulada de novo”, ensina. “O ralo deve ser protegido por uma tela de mosquiteiro bem fina para que os possíveis mosquitos que nascerem dentro do ralo não consigam sair. E para as fêmeas não conseguirem entrar para pôr seus ovos lá”. 

LIMPEZA DAS PAREDES

Uma outra informação importante é a limpeza das paredes dos possíveis criadouros onde pode acumular água, pois, segundo Storel Junior, o mosquito da dengue não põe os seus ovos na água e sim na parede próxima da água. “Então, a parede do pratinho de plantas, a parede da calha, a parede de possíveis reservatórios que possa acumular água precisa ser limpa com uma esponja, aquelas amarela e verde, que têm uma parte macia e uma parte áspera. Então, você tem de limpar com a parte áspera”, orienta. Com esse cuidado, os ovos serão eliminados e as “fabricas dos mosquitos” também. 

Ainda de acordo com o especialista, a fêmea do Aedes aegypti, além de ter o hábito de picar várias pessoas antes de fazer a postura, ela também faz várias posturas de ovos. Então, cada postura de ovo tem um relógio diferente para eclodir. E em situações secas, os ovos sobrevivem além de um ano. 

“O que acontece quando começa a chover: o estoque de ovos do ano passado começa a eclodir. Então, a gente tem sempre um estoque de ovos enorme que vai eclodir na época das chuvas e vai formar muitos mosquitos que vão repovoar esse estoque de ovos”, conta. “Então, é importantíssimo a gente atacar a fase terrestre da oviposição. Um simples ato mecânico de esfregar as paredes do criadouro quebra a ligação do ovo com a parede e o ovo morre. Não precisa usar produto químico. É simplesmente esfregar a bucha nas paredes dos possíveis locais onde acumula água depois da chuva”, complementa. 

O engenheiro enfatiza que o trabalho da população tem de ser constante. Só assim, os casos de dengue que explodiram no Brasil e em Piracicaba (onde já passou dos 1.100 casos) serão reduzidos. “Como o mosquito tem o ciclo de sete dias e, em época de calor e chuva, esse ciclo pode reduzir para quatro ou três dias, na verdade as pessoas têm de refazer esse processo de limpeza de três em três dias. Essa orientação de trabalhar com a bucha deveria ser priorizada na comunicação de saúde pública durante essa epidemia de dengue. Ela é a principal forma de reduzir a população do vetor Aedes aegypti”, finaliza.

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