O câncer de colo de útero é o terceiro tumor maligno mais comum no Brasil e a quarta causa de morte por câncer mais comum entre mulheres, de acordo com levantamento do Inca (Instituto Nacional do Câncer). A doença, que tem números significativos em todo o país, pode ser causada em decorrência da contaminação da mulher pelo Papilomavírus Humano, conhecido como HPV, uma IST que tem como principais formas de prevenção a vacina, o uso de preservativos para relações sexuais e a realização de exames preventivos. Todas elas, disponíveis de forma gratuita nos serviços públicos de saúde.
De acordo com a oncologista Mary da Silva Thereza, do Cecan (Centro do Câncer), atualmente, 99% dos casos de câncer de colo de útero são causados pela infecção e persistência do HPV. A principal forma de contágio é pelo contato sexual sem preservativo. “A principal via de contágio com o HPV é a sexual, de forma que o uso de preservativo é fundamental para diminuir o risco de transmissão e infecção”, disse a oncologista.
Segundo ela, o HPV é comum, e acomete cerca de 54,6% dos jovens entre os 16 e 25 anos, podendo causar alterações nas células do colo de útero. “É imprescindível prevenir a infecção pelo vírus e evitar os casos graves”, disse Mary Thereza. Atualmente, a vacina contra o HPV faz parte do calendário vacinal e é indicada para meninas e mulheres de 9 a 26 anos. Os meninos com idade entre 9 a 14 também devem tomar.
A vacina garante mais de 90% de proteção contra os cânceres ligados ao HPV, principalmente quando tomada antes da primeira relação sexual. Porém, a proteção deve ser combinada com outros métodos para que a eficácia seja maior. “Os exames preventivos devem continuar mesmo após a vacina, pois ela não trata as doenças causadas pelo HPV e já instaladas, mas pode proteger contra doenças que ainda não tenham infectado a paciente”, explicou.
Apesar da vacinação contra o HPV ser parte do calendário , a adesão ainda é baixa. Em 2021, apenas 60% das meninas na faixa etária dos 14 anos e 35% dos meninos estavam vacinados com as duas doses, quando o ideal seria manter essa taxa em 80%. “A baixa adesão é explicada pela falta de informação e conscientização sobre a importância da vacina, crenças equivocadas de que a vacina estimula a promiscuidade sexual e dificuldade de acesso à vacina”, diz. Em Piracicaba, a vacinação está disponível em todas as unidades de saúde de atenção básica - UBS (Unidades Básicas de Saúde), Crabs (Centro de Referência da Atenção Básica) e PSF (Posto de Saúde da Família).
CONTATO
A oncologista do Cecan diz que cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas vão ter contato com o HPV em algum momento da vida, e pelo menos 5% delas vão desenvolver o tumor maligno.
Os principais sintomas da contaminação pelo HPV são corrimentos, dores na região pélvica e sangramentos irregulares durante e após as relações sexuais. Os exames de rotina devem ser feitos por mulheres a partir do início da vida sexual. As lesões pré-cancerosas podem ser detectadas durante o exame preventivo Papanicolau, que deve ser realizado periodicamente, pois quando a doença é detectada no início, ela pode ser curada na maioria dos casos.
Casos de câncer de colo de útero aumentaram 30%
O Cecan (Centro do Câncer) da Santa Casa de Piracicaba identificou um aumento de 30% nos casos de câncer de colo de útero na cidade entre 2021 e 2023. Segundo a oncologista Mary Thereza, diretora do Cecan, esse total vem crescendo desde 2002.
“Nos últimos dois anos, de 2021 para 2023, o aumento foi de 30% na Oncologia, onde o tumor responde por 9,5% de todos os casos de câncer tratados”, disse. No Brasil, esse é o terceiro tumor mais comum e é a quarta causa de morte por câncer em mulheres no país, de acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer).
Em 2021, foram estimados 16.760 casos, número que, em 2023, saltou para 17.010. “Pelo menos 6.380 mulheres deverão morrer neste ano devido a este tumor”, alertou a médica.
Clique para receber as principais notícias da cidade pelo WhatsApp.
Siga o Canal do JP no WhatsApp para mais conteúdo.