Piracicaba tem, pelo menos, 217 pessoas em situação de rua. É o que mostra o censo destinado a identificar o perfil e tamanho desse público realizado pela Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social). O resultado foi publicado em agosto deste ano. Pessoas nessas condições fazem das praças e marquises lares provisórios e boa parte encontra na rua a fuga para atritos familiares provocados, principalmente, por envolvimento com drogas e álcool.
A falta de amparo, distância da família e desemprego tornam difícil a resolução do problema. O Natal é citado como “é tudo” por uma pessoa em situação rua ouvida pelo JP, mas o medo de não ter o que comer aflige. “Eu quero sair da rua, preciso de paz. Vou tentar sair, mas o Natal é um dia igual ao outro porque todo dia eu tenho fome e, no Natal, não deve ter comida aqui”, disse Edivaldo de Oliveira, de 50 anos, natural de Apucarana/PR. Ele está na rua desde quando perdeu o emprego, há cerca de dois anos. Denis de Souza, de 39 anos, está na rua há um mês e meio. Brigas com a ex-mulher o levaram à rua. “O Natal é tudo, minha irmã falou que ia vir me buscar, mas não sei se quero”, disse. “Se eu pudesse pedir algo de Natal pediria paz”.
Há cinco anos e oito meses, Maurício Soares, de 48 anos, vive em situação de rua. Natural de Três Corações/MG, está em Piracicaba há dois meses. Disse que bebidas alcoólicas e drogas o levaram para a rua. Pai de três filhos, Soares disse que o Natal é humildade. “Você vai encontrar coisas boas, independente de estar longe da família, mas, a família é a melhor coisa que tem”, disse.
OBRA
Reintegrar à sociedade as pessoas em situação de rua por meio da reaproximação da família. Essa é uma das iniciativas da Obra de Maria. Na quarta-feira (20), a 20ª edição de uma confraternização no Teatro São José, promovida pela entidade, reuniu dezenas de pessoas em situação de rua e seus familiares. “Na nona edição da festa, um repórter perguntou para um menino de 9 anos o que era mais importante para ele: o cardápio, os brinquedos ou o bolo. E ele respondeu que o mais importante para ele é que era a única vez no ano que ele encontrava o pai”, disse Maria José Berto, fundadora da Obra de Maria.
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