10 de julho de 2026
BOM VELHINHO

'Eu quero distribuir alegria às crianças’, diz Papai Noel, em Piracicaba

Por Fernanda Rizzi | fernanda.rizzi@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 5 min
Claudinho Coradini/JP

Por trás dos trajes vermelhos e brancos, todo Papai Noel tem uma identidade. Dorival Nalin, conhecido carinhosamente como Beijoca, transformou o bom velhinho em uma tradição desde 2010. Em uma conversa descontraída com o Jornal de Piracicaba, o comerciário, de 59 anos, compartilhou a emoção que sente ao levar alegria às crianças e a importância de transmitir segurança  aos pequenos.

Desde então, ele dedicou seu tempo e esforços para realizar diversas ações beneficentes, indo além do Natal. Tocando corações e transformando vidas, ele já alegrou a data comemorativa dos assistidos do Crami (Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus Tratos na Infância), Lar dos Velhinhos e da Casa do Bom Menino, e dos pacientes da Santa Casa de Piracicaba.

A sua paixão por fazer o bem também reflete na transformação de uma área verde, que hoje recebe a denominação de Praça Recreativa Neyde Therezinha Molon Nalin, em homenagem a sua falecida mãe. No espaço, o Papai Noel realiza todos os anos uma festa com brinquedos, pipocas e muita diversão para toda a criançada, para proporcionar momentos alegres, e o mais importante: mostrar o verdadeiro significado do Natal.

Qual é a sensação de ser um Papai Noel?
É muito gratificante porque você quer ver a alegria. Eu quero distribuir alegria para as crianças, então você tem que estar muito bem alegre, bem-humorado para receber essas crianças. É passar para a criança aquela segurança e conversar. É muito interessante, é bacana, eu gosto muito.

Como surgiu a ideia de trazer as festas recreativas para as crianças na praça durante o Natal?
Essa ação eu já faço há muito tempo, não é de agora. Ainda era da época que eu tinha caldo de cana na praça. Eu fazia sorteios de bicicleta, então as pessoas tomavam um caldo de cana e concorriam a um cupom. Na época, também fiz uma ação para o Crami (Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus Tratos na Infância), e no Lar dos Velhinhos, onde por três anos seguidos fizemos almoço para eles. Fui o Papai Noel na Casa do Bom Menino, me reuni com alguns amigos e fomos entregar os presentes de motocicleta. Foram cerca de 70 brinquedos, que elaboramos um cartão com as opções de brinquedos porque as crianças querem muitos celulares hoje (risos). Eu e meu amigos empresários pegamos as cartinhas e fomos presentear as crianças.
Eu estava como Papai Noel de moto e o outro amigo meu. Foi uma festa incrível. Adorei. E, recentemente, eu fiz lá também, junto com um trabalho do Rotary Club. Eu confeccionei tudo, as poltronas e revitalizamos uma área lá da Casa do Bom Menino.

Você também realiza as ações em outras instituições, certo?
Sim, também fiz na Santa Casa. O convite lá foi para um menino autista. Ele não recebeu a visita do Papai Noel, tinha 36 anos e ficava animado quando via o Papai Noel na televisão. Me ligaram para eu ir lá, e fui na mesma hora. Foi o que mais me emocionou e, não só eu, mas todos que estavam lá. São trabalhos que valem a pena. É voluntário, mas nos sentimos bem e eu adoro fazer isso. Eu conheço muitas pessoas e empresários que me ajudam.

Qual é o sentimento de saber que pode mudar o dia de alguém que está passando por um processo difícil?
O que me chama a atenção, quando eu estou de Papai Noel, é aquela criança que ainda tem receio de chegar perto de mim. Ela tem medo. E aí, você tem a missão de conquistá-la e trazer para perto. Quando você a traz para  o seu lado, você conseguiu. Você ganha um sorriso e um abraço e, então, você ganha tudo.

Já presenciou alguma história comovente de uma criança?
Já. Mas tem muitas coisas, é difícil lembrar de cabeça. Gosto de perguntar como foi o ano e se ela passou bem. Uma vez me perguntaram o que eu tinha feito com as renas de um trenó que fiz no ano passado.

E para você, qual é a importância do Natal?
É o nascimento de Jesus. É a alegria e a reunião. Acho que família não precisa reunir só no Natal. A reunião deve acontecer no ano todo. O Natal é o momento de alegria, trocas, presentes e também de doar um pouco para as outras pessoas. Tem bastante gente que tem coisas em casa que pode doar, como brinquedos, por exemplo. Isso é muito importante. Às vezes a pessoa se apega naquilo, mas tem criança que fica feliz da vida. Você tirar um pacotinho de bala do saco de Papai Noel e entregar para uma criança, só o sorriso dela é muito gratificante. É legal!

Como a praça despertou em você o desejo de ajudar o próximo?
É um projeto que eu tive quando ainda tinha a minha lanchonete. Eu não conseguia fazer algo devido ao meu comércio, mas conheci novas pessoas que me ajudaram a transformar esse local e trazer crianças e famílias para mim. Foi demais, eu nem esperava acontecer tudo isso, mas olha só!

Como funciona a parceria com amigos e empresas para a manutenção da praça?
É a confiança. Eu até ganhei o prêmio da categoria Cidadão do Comdema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), então tudo é um reconhecimento. Você ganha em valores? Não! Você ganha em reconhecimento. É um trabalho árduo, mas é a alegria de ver um pai tirar um livro da biblioteca aqui, sentar e ler para uma criança de 10 anos. Tem famílias que frequentam aqui todos os domingos. A praça se tornou uma referência.

Quais são os novos planos para o local?
Estou com um projeto do viaduto que está em andamento, com arquiteto, engenheiro e um amigo meu está fazendo toda a topografia do terreno. Minha intenção é fazer escorregadores, colocar jogos de mesa para as famílias, restaurar uma mina aqui próxima, fazer um campo de areia e uma praça pet. Se der certo, é um lugar que chamará muita atenção e atrairá mais família ainda.

Todos os enfeites de Natal de outras datas comemorativas são feitos por você?
Eu estou vindo aqui quase todos os dias para fazer os enfeites de Natal. Tudo sou eu que faço, e a criatividade também é minha. É muito legal ver as crianças passarem aqui e prestarem atenção no Papai Noel. Graças a Deus eu consegui fazer isso aqui e ver a alegria das pessoas brincando e se divertindo aqui. Para mim, é um projeto que vai ficar para
sempre mesmo.

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