Dentre os cerca de 35 mil participantes da 98ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, que acontecerá no próximo dia 31, em São Paulo, haverá muitos piracicabanos e, destes, alguns debutantes. São atletas que nutrem a paixão pelo esporte e, aos finais semana, deixam seus compromissos profissionais ou afazeres domésticos para encarar esse desafio.
O Jornal de Piracicaba falou com cinco desses competidores, que vivem a ansiedade da prova mais importante do pedestrianismo nacional: um casal, duas irmãs e uma jovem, que, de tanto ver a irmã participar, tomou coragem e neste ano vai correr com ela.
“Pretendo correr com minha irmã, pois ela é minha inspiração; foi quem me incentivou a ir na SS”, diz a técnica de Enfermagem Deise Regina dos Santos, 42 anos, se referindo à Patrícia Aparecida dos Santos, de 49 anos, que chegará à sua quinta vez na prova. “Sempre tive em mente que um dia iria participar da São Silvestre e esse ano deu certo e estou muito feliz e ansiosa”, revela.
Deise, que mora na Vila Rezende, corre há cinco anos e atualmente defende a equipe Superação. Ela contou que quer curtir a prova, “sentir a vibração dos atletas, aproveitar cada quilômetro, finalizar o percurso com muita alegria e tirar muitas fotos”. “É um sonho realizado. Quando era criança assistia na TV e era lindo, emocionante. Hoje, vou estar lá, para finalizar meu ano do jeito que mais gosto: correndo e entre amigos”, discursa.
SEMPRE JUNTOS
O empreiteiro Mauricio Ciriaco Camargo, de 48 anos, e a funcionária pública municipal Priscila Heluani Ciriaco Camargo, de 44 anos, também sentirão pela primeira vez a emoção da São Silvestre. O casal, que mora na Pauliceia, não corre há muito tempo – ele desde 2014 e ela, desde 2017 -, mas o suficiente para declarar o amor pelo esporte.
“Quando comecei a correr não me apaixonei de início. Entre uma corrida e outra se passava muito tempo. Porém, em março de 2022, algo mudou e me encontrei na corrida. Comecei a treinar com o objetivo de correr a São Silvestre de 2022, porque até então o máximo que eu tinha corrido eram 10 km”, conta Priscila.
“Descobri que eu era capaz de superar os meus limites, o cansaço do dia a dia. A corrida nos proporciona autoconhecimento e conquistar grandes amizades. Infelizmente, não foi possível ir o ano passado, e esse ano estou ansiosa para realizar esse sonho”, emenda a atleta.
Maurício revela que não estava nos planos participar da São Silvestre, mas irá a São Paulo por um motivo especial: “Vou acompanhar a Pri”, declarou o corredor, que vai seguir ao lado da amada durante todo o trajeto. “Queremos curtir a prova do início ao fim e cruzar a linha de chegada juntos”, contam.
No entanto, em uma situação eles concordam: a corrida que fecha o calendário esportivo do país é muito atraente por seu charme e tradição. “Para mim, a São Silvestre é uma corrida histórica e fazer parte disso é uma realização pessoal”, opina Priscila. “Correr a SS é participar de uma prova que eu assistia desde criança pela TV”, emenda Maurício.
VOVÓS-ATLETAS
As irmãs Maria de Lourdes Ramos Ferreira, de 69 anos, Maria das Dores Ramos Coelho Soares, de 60, já estão com tudo pronto para “desfilarem” na avenida Paulista, no próximo dia 31. Essas duas simpáticas senhoras afirmaram que estão com o “fôlego em dia” e certas de que cruzarão juntas a linha de chegada da São Silvestre.
Elas fazem parte da turma de 27 atletas que vai com a Equipe de Corredores de Piracicaba, sob o comando do atleta José Antonio Teixeira Leite, o Preté, com o apoio da Selam (Secretaria de Esportes, Lazer e Atividades Motoras), que cederá um ônibus para os atletas irem à capital paulista.
“Nunca deu certo antes. Só agora que temos esta oportunidade de irmos com o Preté e a Patrícia (Patrícia Aparecida dos Santos) e não vamos perder e vamos realizar os nossos sonhos”, conta Maria de Lourdes.
“Estou muito ansiosa e confiante. Vamos concluir a prova e nos divertir bastante”, completa Maria das Dores, que diz que não desgrudará da irmã durante os 15 km da prova paulistana. “A São Silvestre é um sonho realizado. Vou comemorar os 60 anos e fechar 2023 com chave ouro”, finaliza.
NÚMEROS
A organização da corrida informou que terá nada menos que 4 mil pessoas, divididas entre monitores, seguranças, coordenadores, equipes de produção e órgãos públicos. Para o apoio médico, serão 200 profissionais de saúde à disposição, com 25 ambulâncias UTIs espalhadas ao longo do percurso.
A principal prova de rua da América Latina envolve outros números expressivos, como 5 mil grades para isolamento e mais de 500 mil copos d’água para hidratação. A montagem de toda a estrutura da 98ª Corrida Internacional de São Silvestre começará no dia 20 de dezembro.
A avenida Paulista será fechada parcialmente em 30 de dezembro e estará totalmente fechada a partir das 2 horas (de Brasília) do dia 31, inclusive as transversais, entre a avenida Brigadeiro Luiz Antônio e rua Augusta. Somente os atletas terão acesso a essa região.
Maria das Dores e Maria de Lourdes estão prontas para o desafio
Deise diz que irmã foi quem a inspirou para desafio na capital
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