11 de julho de 2026
SAÚDE

Sistema imunológico enfraquecido e câncer: saiba como a Aids age no corpo humano

Por Roberto Gardinalli | roberto.gardinalli@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/Prefeitura de Piracicaba

Registrada pela primeira vez nos Estados Unidos em 1981, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, conhecida como Aids, é uma doença causada pelo vírus HIV que ainda não tem cura, apesar dos avanços da ciência. Os primeiros casos foram registrados em usuários de drogas injetáveis e também em homens homossexuais que estavam com a imunidade debilitada sem motivo aparente. No Brasil, a primeira figura pública a falecer em decorrência da Aids foi o estilista Markito, que morreu aos 31 anos de idade em Nova Iorque, com os mesmos sintomas das primeiras vítimas registradas nos Estados Unidos.

A Aids se desenvolve em decorrência da contaminação do vírus HIV, e apesar de ser uma doença grave, é silenciosa, e dificilmente apresenta sintomas, sendo comum que a pessoa diagnosticada faleça por conta de doenças oportunistas. De acordo com o médico infectologista Tuffi Chalita, a vírus causador da Aids atua de duas formas no corpo humano. “Todo vírus que entra no corpo da gente, de qualquer doença, tem o que chamamos de tropismo, que é o vírus gostar de se alojar em determinado órgão. Por exemplo, os vírus da hepatite gostam de atacar o fígado, apesar de atacarem outros órgãos. O vírus que causa a meningite, gosta das meninges, e assim por diante”, explicou. “O HIV tem tropismo basicamente pelos órgãos do sistema imune, que são gânglios, e quando eles invadem, o indivíduo deixa de produzir células de defesa. Portanto, quem tem HIv, não vai sucumbir, normalmente, de HIV. Vai sucumbir de doenças oportunistas porque o órgão que produz defesa está invadido e está sendo destruído”, explicou.

Além disso, o especialista explica que a Aids ataca diretamente a produção de células saudáveis do corpo, podendo, inclusive, causar cânceres nos pacientes. “O vírus ataca células que ficam nesses gânglios que produzem como se fosse um controle de qualidade sobre as células a serem produzidas. Por exemplo, as células do fígado constantemente morrem e outras células são produzidas para o lugar. Células do cérebro morrem, outras são feitas e assim por diante”, disse. “Se eu perder o controle de qualidade na fabricação dessas células, eventualmente meu corpo pode produzir uma célula errada do cérebro, do fígado, do rim, e aí eu vou desenvolver o tumor”, completou. ”Se eu tenho HIV, ele destrói esse meu controle de qualidade e meu corpo erroneamente produz uma célula tumoral, ela vai invadir, vai para frente e eu vou padecer de tumores. Portanto, quem tem Aids morre de infecções e, alguns deles, morrem de cânceres”, finalizou.

Chalita explica ainda que a Aids é uma doença que, normalmente, não apresenta sintomas. Segundo o médico, os sinais que surgem são, na maioria das vezes, de infecções. Porém, há situações na qual o paciente pode sentir algo. “Existe uma situação muito particular, mas que é muito mais incomum, que é a Aids aguda. Eu contraio o vírus e depois de duas, três semanas, desenvolvo febre, dor no corpo, mal estar, indisposição, aumento dos gânglios e quando vou investigar, descubro que é Aids aguda”, afirmou. “O normal é o indivíduo, depois de anos de ter adquirido, começar a sentir os sintomas, que são as infecções oportunistas e alguns tipos de tumores”, finalizou.

RASTREAMENTO
A transmissão do HIV acontece via relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas contaminadas e pode acontecer, também, de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. Em Piracicaba, a assistência às pessoas que vivem com HIV/Aids e outras doenças como hepatites virais, tuberculose e hanseníase, é feita pelo Cedic (Centro Especializado em Doenças Infectocontagiosas), que também realiza atividades voltadas à aconselhamento, diagnóstico e vinculação de pessoas com HIV, Sífilis e Hepatites Virais, resguardando o sigilo, a confidencialidade e o respeito aos direitos humanos.

Além disso, o Cedic oferece a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) para pessoas que tiveram uma provável exposição, dentro de 72 horas, ao vírus HIV por meio de violência sexual, acidente com material perfuro-cortante ou sexo consentido, e a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) como uma das formas de prevenção.

O agendamento das consultas geralmente é feito pelas Unidades de saúde. Já a PrEP é agendada pelo próprio usuário, podendo ser via telefone, e a PEP é distribuída sem agendamento. Quanto aos testes rápidos (HIV, sífilis e hepatites virais), os usuários podem procurar também qualquer Unidade de saúde do município (UBS, CRAB e USF), além do Cedic.

Clique para receber as principais notícias da cidade pelo WhatsApp.

Siga o Canal do JP no WhatsApp para mais conteúdo.