09 de julho de 2026
CASO JAMILLY

Relatório da CPI vai apontar falhas no atendimento da Upa Vila Cristina

Por André Thieful |
| Tempo de leitura: 2 min

O relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga o atendimento prestado pela UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Frei Sigrist, na Vila Cristina, à menina Jamilly Vitória Duarte, de 5 anos, no dia 11 de agosto deste ano, vai apontar as falhas no atendimento prestado à criança. A paciente, picada por escorpião, passou pela unidade, que é referência para esse tipo de atendimento, mas não recebeu o soro antiescorpiônico. Ela foi transferida para a Santa Casa, onde recebeu o antídoto, mas não resistiu e morreu no sábado, dia 12 de agosto.

"Houve falha no atendimento prestado na UPA Vila Cristina, falha de muitas pessoas. Seria achar bode expiatório apontar o dedo para uma única pessoa”, disse o presidente da Comissão, Acácio Godoy (PP), em entrevista ao Jornal de Piracicaba. A fase de depoimentos da CPI ainda não terminou, mas as próximas pessoas a serem ouvidas deverão voltar a falar sobre a transição da gestão municipal para a gestão da OSS (Organização Social de Saúde) Mahatma Gandhi, que ocorreu em julho.

De acordo com o presidente da CPI, cerca de 30 pessoas foram ouvidas e os depoimentos e as  investigações apontaram que o tempo de atendimento prestado à menina teria sido suficiente se não fossem os erros. “A paciente entrou na UPA e ficou dentro da unidade por uma hora. Como a família descreve um deslocamento rápido para a unidade essa uma hora está dentro do que se considera ideal. Esse tempo teria que ser melhor aproveitado. O relatório vai fazer um apontamento muito específico sobre isso”, disse.

Segundo ele, os depoimentos tomados foram confrontados com documentos. “Nós não ficamos só nos depoimentos, nós buscamos documentos. Esses documentos, em boa parte dos casos, apenas confirmam o que foi dito, mas em casos específicos eles contradisseram depoentes e quando nós confrontamos, nós validamos os documentos”, explicou.

A CPI tem 120 dias após o início dos trabalhos, que se deu no começo de setembro, para emitir o relatório final, mas devido ao recesso de fim de ano, o documento deverá ser apresentado no começo do ano que vem. “O relatório tem a obrigação de ser apresentado em plenário, para os demais vereadores e será encaminhado ao Ministério Público. E pode ser encaminhado para outros órgãos, como o Coren (Conselho Regional de Enfermagem) e Conselho Regional de Medicina”, explica. O vereador lembra, ainda, que a finalização do relatório é trabalhosa. “Tem sempre que validar um depoimento com uma prova” disse.

Além do vereador Acácio, a CPI é composta pelos vereadores Cássio Luiz (PL), Pedro Kawai (PSDB), Gustavo Pompeo (Avante) e Paulo Camolese (PDT). Sobre os reflexos políticos que o relatório final pode gerar em ano eleitoral, Acácio disse que não se preocupa com essa questão. “Uma das grandes qualidades que eu vi nessa equipe da CPI foi o comprometimento com a verdade, não com ideologia política, partido, oposição ou situação. Então, eu não me importo. O que está no relatório é a expressão da verdade”.