10 de julho de 2026
GUERREIRAS

Meninas do Alvinegro falam da superação em busca de um sonho: representar Piracicaba

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Mariana Kasten/XV de Piracicaba
Isabela Vieira durante jogo do Paulista: ‘Treinava na hora do almoço’

A fisioterapeuta Isabela Vieira, a gerente de academia Dani Magalon e a empresária Maria Paula são profissionais de sucesso em suas diferentes áreas de atuação, mas têm uma paixão em comum: o futebol. Com uma história de sucesso no esporte, elas não tiveram uma carreira longeva no futebol porque o Brasil, infelizmente, ainda não dispõe de uma estrutura adequada para suas jogadoras.

No entanto, a paixão pelo esporte sempre esteve entre elas. E essa chama reacendeu quando o XV de Piracicaba decidiu disputar o Campeonato Paulista da Divisão Especial. Elas receberam o convite para fazer parte da equipe e toparam fazer parte do projeto. No final, levaram o Nhô Quim ao vice-campeonato – na final, perderam para o Marília por 4 a 2.

A segunda colocação foi muito comemorada, afinal, as meninas superaram situações como a falta de locais para treinos (tiveram até de usar campos de society) e a estrutura básica para o trabalho (como uniformes, por exemplo), além da dificuldade de juntar todo o grupo durante os treinos técnicos e táticos – sem contar que não eram remuneradas. É consenso entre atletas e comissão técnica de que, se as condições fossem melhores, o título viria para Piracicaba.

DA NOITE PARA O DIA...

Tudo foi muito rápido. A inscrição, os treinos, a competição... O clube teve de montar a equipe às pressas e as meninas tiveram de fazer um verdadeiro “malabarismo” em suas agendas para conciliar os treinos e jogos com suas atividades profissionais e acadêmicas. Dessa forma, muitas delas trabalharam em horários alternativos e faltaram na faculdade pelo futebol. Mas, no final, o resultado compensou.

“Meus atendimentos acontecem das 7h às 20h. Eu treinava a parte física na hora do almoço e, quando tinha treino, tentava sair um pouco mais cedo”, contou Isabela Vieira, 33, anos, a capitã e a craque do time.

“Para mim a maior dificuldade foi ter disposição e condição física para treinar e jogar após o serviço, pois meu trabalho demanda muito esforço”, lembrou a zagueira Maria Paula, de 28 anos, que atua no ramo de marcenaria. “Quando os jogos caíram durante a semana (semi e final), trabalhei sábado e domingo para finalizar os pedidos e não deixar atrasar os prazos”, lembrou.

“Todos os envolvidos foram realmente por amor ao futebol feminino; todos se doaram até o final para conquistar o título. Infelizmente não aconteceu, mas fica meu orgulho pelo esforço de todas as atletas, que toparam esse desafio”, conta a gaúcha Dani Magalon, 41 anos, tricampeã paulista pelo Botucatu (2006, 2008 e 2009) e com passagens pela Seleção Brasileira.

CAMPANHA

Apesar do pouco tempo de trabalho, o XV de Piracicaba fez uma grande participação no Paulista da Divisão Especial. Avançou na primeira fase em segundo lugar, passou pela Mauaense nas semifinais e só parou no invicto Marília.

“Formamos um time com meninas da cidade e da região, então nem todas se conheciam. Fomos nos conhecendo durante as partidas. Crescemos durante a competição, ajustando o que precisava durante os próprios jogos”, explicou a meia Isabela Vieira.

Com passagens em clubes como o Santos, Foz Cataratas e Seleção Brasileira sub-20, Isabela Vieira usou sua experiência para superar a falta de entrosamento da equipe. “Dentro de campo eu procurava orientar principalmente as mais novas em relação ao posicionamento tático”, explicou a capitã.

Após o segundo lugar na competição, as jogadoras sonham agora com melhores condições de trabalho já a partir de 2024. O XV de Piracicaba espera ansiosamente por um convite da FPF (Federação Paulista de Futebol) para integrar a elite do Paulistão no próximo ano.

“Acredito que a cidade tem infraestrutura suficiente para manter uma equipe feminina; só basta ter pessoas empenhadas em fazer acontecer, e que acreditem na modalidade, pois investimento não faltará. A modalidade está cada vez mais em evidência e isso só traz pontos positivos para o XV”, disse a zagueira Maria Paula.

“Eu espero que olhem com carinho para a modalidade que está crescendo cada dia mais. Eu realmente joguei por amor ao futebol, mas temos grandes talentos na cidade e precisamos dar uma infraestrutura adequada para que essas meninas consigam representar melhor ainda Piracicaba no Estado e quem sabe no cenário brasileiro”, completou a meia Dani Magalon.