10 de julho de 2026
CASO JAMILLY

CPI: Novo depoimento diz que médica foi avisada sobre soro antiescorpiônico

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 2 min
Guilherme Leite/Câmara Municipal
Nesta sexta, CPI terá mais um depoimento

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Caso Jamilly ouviu o depoimento de mais uma técnica de enfermagem que participou do atendimento à menina Jamilly Vitória Duarte, de 5 anos, no dia 11 de agosto, na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Cristina. Ela era a única integrante da equipe que ainda não havia sido ouvida pela comissão, já que havia apresentado atestados médicos. O depoimento dela, que ocorreu nesta quarta-feira (22), diverge da versão apresentada pela médica responsável pelo atendimento à criança.

Picada por escorpião, Jamilly não recebeu soro antiescorpiônico na unidade, que é referência para esse tipo de atendimento e onde havia o insumo. Transferida para a Santa Casa, Jamilly morreu na manhã seguinte. A UPA é administrada desde julho pela OSS (Organização Social de Saúde) Mahatma Gandhi. A CPI foi formada na Câmara para investigar as falhas no atendimento prestado à paciente.

De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara, a técnica disse que uma colega teria avisado a médica responsável pelo atendimento de que havia o insumo. No entanto, a médica teria dito que não sabia a dosagem a ser ministrada na criança e que já havia acionado o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para a transferência da paciente.

“É um depoimento muito importante e que vai contribuir muito para o relatório final. Ele traz informações relevantes, como a contradição com o depoimento da médica sobre ela não ter a informação do soro enquanto tomava as decisões naquela noite. Agora, a gente tem a informação de que ela foi informada de que tinha o soro, mas optou por dar continuidade aos processos de transferência da paciente”, avaliou Acácio Godoy, presidente da CPI.

Além disso, para o vereador, foi importante o relato da profissional sobre como se deu a transição, na UPA, entre as equipes da Prefeitura, que foram deslocadas da unidade, para que assumissem as equipes da OSS, durante um período de 15 dias. “O depoimento também traz algumas informações sobre a logística de trabalho que se estabeleceu, que a gente acha que impactou no atendimento que a Jamilly recebeu”, afirmou.

Com o depoimento desta quarta-feira (22), a CPI ainda conseguiu esclarecer quem foi responsável pela preparação da medicação para Jamilly, já que nenhum dos integrantes da equipe declarou ter realizado o procedimento. A técnica de enfermagem disse que atuava na farmácia no dia do atendimento e respondeu que preparou o soro fisiológico com dramin e dipirona, conforme a prescrição médica que recebeu. Ela também foi solicitada para tentar a puncionar o acesso venoso na criança, sem sucesso.

A CPI tem mais um depoimento marcado para esta sexta-feira (24), às 8h30. Uma das enfermeiras da UPA foi reconvocada para prestar esclarecimentos.

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