Antonio Messias Galdino, piracicabano de 84 anos, por onde passa faz a diferença e deixa a sua contribuição. Filho de Messias Salvador Galdino e de Maria Elisa da Costa Galdino, se formou em Direito no ano de 1966. Com um currículo extenso, atuou como advogado do Sesi (Serviço Social da Industria) e Ciesp (Centro das Industrias do Estado de São Paulo). Foi sócio-fundador da Associação dos Advogados de Piracicaba, no qual foi diretor. Também pertenceu à diretoria da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), na 8ª Secção de Piracicaba.
Como professor, lecionou no Colégio Piracicabano, na Escola Técnica de Comércio “Cristóvão Colombo” e na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Sua jornada também passou pelos caminhos do jornalismo, no qual trabalhou em vários jornais, incluindo o Jornal de Piracicaba.
Sempre com muito interesse pela política e em busca de trazer mais conhecimento para si, exerceu dois mandatos na Câmara Municipal de Piracicaba, no período de 1973 a 1982, e também, ocupou a presidência da Casa de Leis nos anos de 1975e1976.
Na área cultural de Piracicaba, Galdino foi fundador do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba), sócio da APL (Academia Piracicabana de Letras) e integrou a diretoria da Sociedade Beneficente “13 de Maio” de Piracicaba, onde ocupou o cargo de presidente do Conselho Deliberativo. Sua dedicação foi além do município do interior, e atuou como membro correspondente da Academia Paulistana da História da Ordem Nacional dos Bandeirantes e sócio da União Brasileira dos Escritores.
Como escritor lançou quatro obras, no qual expressou seus conhecimentos e ideias. Recentemente foi homenageado com o Título de Destaque Piracicabano, pela Câmara Municipal, e laureado com a Medalha Prudente de Moraes, pelo IHGP.
Nesta entrevista ao Jornal de Piracicaba, Galdino conta sobre a sua trajetória, anos políticos, sua paixão pela advocacia e momentos que mais o marcou ao longo de sua trajetória.
Recentemente, o senhor recebeu o Título de Destaque Piracicabano. Como se sentiu ao receber essa honra da Câmara Municipal de Piracicaba? Foi uma honra e uma satisfação muito grande. A minha vida sempre foi muito ligada à Câmara. Desde muito jovem, com 17 ou 18 anos, eu trabalhava no Jornal de Piracicaba e o redator pediu que eu fosse fazer a cobertura das sessões da Câmara. Eu fui e comecei a conhecer os vereadores e os temas que discutiam, algo bonito para um jovem aprender.
Então podemos dizer que o desejo de tornar-se vereador veio desses momentos de sua vida? Também. Desde muito jovem eu lia a respeito de coisas históricas e políticas, então naquele tempo na década de 50, eu já acompanhava por meio dos jornais, a história de Piracicaba, do Brasil e a política de modo geral. Anos mais tarde, eu fui convidado a me candidatar como vereador. Isso ocorreu em 1972. Eu já tinha um tempo de advocacia e magistério. Fui professor de Economia Política e Direito Usual para o curso de Contabilidade. Depois fui convidado para lecionar no Colégio Piracicabano a disciplina de Estudo de Problema da Organização Social e Política Brasileira. Dei-me bem no magistério e depois fui para a Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), onde disciplinei Estudos dos Problemas Brasileiros, no curso de Direito. Tudo isso foi uma espécie de um degrau para conhecer mais pessoas, situações e me relacionar melhor. No final de 1970, me convidaram, me candidatei e tive a felicidade de ser eleito. Foram dois mandatos. Já no primeiro mandato, também fui eleito o presidente da Câmara. Foi um momento glorioso que nós estávamos na cidade com alguns problemas políticos entre o Legislativo e o Executivo. Nesta época, o prédio da Câmara estava paralisado há mais de 10 anos, e conseguimos com o prefeito Adilson Maluf, um trabalho para a cidade com a inauguração da Câmara, industrialização para a cidade e vias públicas. Foi um governo bom.
Quais foram os desafios e realizações mais marcantes durante o seu mandato? Um dos meus projetos foi a formação de uma comissão de estudo para a capacitação de águas do Rio Corumbataí. Nessa época, a estiagem provocava muita poluição no rio e não havia um controle. Então as usinas da região jogavam todo o restilo no rio. Isso foi tão forte que o Rio Piracicaba não podia mais oferecer água para a cidade. Nesta ocasião, eu levantei uma bandeira para estudar a filtração do abastecimento de água para Piracicaba. Outro projeto que gosto de destacar foi a participação de Piracicaba e da Câmara no Congresso dos Vereadores. Naquele tempo como não tinha poder Legislativo Federal e Estadual, as Câmaras Municipais desempenhavam a assumir esse protagonismo. Nesses Congressos, os vereadores levavam as preocupações para o governo. Eu levei vários trabalhos, participei de vários deles e conseguimos colocar Piracicaba em uma posição de destaque.
Como se tornou um dos fundadores do IHGP? Naquela ocasião, no bicentenário de Piracicaba em 1976, houve um concurso jornalístico para destacar vários setores da vida piracicabana. Então, alguns professores e intelectuais escreveram um trabalho sobre Piracicaba. Eu escrevi sobre a Santa Casa, e o médico Nelson Meirelles, também médico da minha família, sabia que eu gostava de escrever e me ajudou com os documentos e atas da Santa Casa para eu levantar e estudar esse trabalho. A minha pesquisa foi classificada como os três melhores e foi publicado no Diário de Piracicaba. Depois, um grupo de intelectuais sugeriram a fundação do Instituto Histórico e Geográfico em Piracicaba. Para a constituição do Instituto foram escolhidas as pessoas que tinham algum trabalho publicado. Eu fui convidado a ser membro do Instituto.
Ao longo dos anos como enxerga a evolução do IHGP e seu papel na preservação da história e cultura de Piracicaba? O Instituto é o porto marcante da história de Piracicaba porque a função dele foi levantar a história piracicabana, manter, produzir trabalhos ao longo do tempo e serve como um patrimônio da história piracicabana. Eu posso dizer que ele está seguindo o seu ideal, cumprindo sua finalidade e seus membros têm dado um bom trabalho de proporção e destaque para o Instituto. O Instituto é um guardião de Piracicaba. E hoje está sendo levado fora do Brasil porque os pesquisadores correm ao IHGP para o que querem tomar conhecimento.
Na sua visão, como o IHGP e outras instituições históricas são importantes na educação e conscientização das gerações mais jovens? É fundamental que as novas gerações procurem o Instituto por meio de seus professores e escolas porque a história de Piracicaba é muito rica. Cabe ao meu ver, a escola direcionar os alunos para o Instituto. Essas entidades têm a responsabilidade de levar cultura ao povo. Temos que desenvolver, estimular e criar institutos que divulguem a cultura brasileira e universal.
Você também foi laureado com a Medalha Prudente de Moraes pelo IHGP. O que essa honra representa para você? Eu vejo isso como uma generosidade do Instituto por eu ter recebido essa medalha. Sou grato de saber que estou passando por Piracicaba e deixando um referencial para as gerações que estão vindo. Eu fico tão feliz dessa homenagem, assim como outras que já recebei como advogado, professor, legislador e como cidadão, que é o mais importante.
Você também atuou como advogado por muitos anos. Como foi essa época? Minha advocacia foi maravilhosa para mim. Eu sempre quis ser advogado. Quando eu terminei o colégio, aqui em Piracicaba, não tinha faculdade. Então eu fui fazer a faculdade de Direito em Bauru. Eu fiz isso por cinco anos, de 1962 a 1966 e me formei advogado. Eu comecei minha carreira com um grande amigo e irmão, que é o Cecílio Elias Netto. Quando ele se formou me convidou para trabalhar com ele em seu escritório. Fui advogado durante 55 anos. Eu tive a sorte de advogar para muitas pessoas em Piracicaba.
Você também já escreveu quatro livros. Conte um pouco sobre eles. Publiquei quatro deles. O primeiro dele chama-se “Constituinte e Outros Termos”. Nesse período que eu era vereador, eu escrevi sobre inúmeros trabalhos que apresentei como vereador. Depois, eu publiquei o segundo, que foi o “Brasil Negro”. Eu levanto os problemas dos negros, período escravagista, abolição e até hoje, mostrando que ainda estamos longe de sermos cidadão plenos no Brasil. O próximo livro é “Há Sugestão à Constituinte”. Escrevi uma série de artigos, também no publicados no Jornal de Piracicaba, sugerindo temas para serem debatidos na constituinte que elaborou a constituição de 1988. Eu mandei esse livro para todos os senadores e deputados que compuseram a constituinte. Tive muitas respostas da grande maioria, e alguns temas vieram a ser discutidos depois. Foi uma contribuição que eu estava fazendo aqui como advogado e conhecedor da constituição. O outro foi “Repensando o Brasil”, que foi o último e abordei o voto distrital e o sistema parlamentarista. O voto proporcional ele recebe voto de todo o estado, não só na cidade ou no seu distrito. No distrital, há distritos eleitorais e os candidatos são do distrito. Isso, a meu ver, poderia ser uma representatividade mais efetiva e mais sólida.
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