10 de julho de 2026
CUIDADO

UPA Vila Cristina atendeu 582 casos de picadas de escorpião em um ano

Por Da Redação |
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O caso da menina Jamilly Vitória Duarte, de 5 anos, não foi o único a ser atendido na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Cristina. De acordo com o Centro de Vigilância em Saúde (Cevisa), de setembro de 2022 a setembro de 2023, passaram 582 registros de acidentes com escorpião somente naquela unidade, entre leves, moderados e graves. Representantes do órgão prestaram depoimento, nesta quarta-feira (18), à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) formada na Câmara Municipal de Piracicaba para apurar a morte da menina e que passou por atendimento na unidade no dia 11 de agosto. Também foi ouvida a enfermeira responsável pela triagem da paciente na UPA.

Os números foram apresentados pela coordenadora do Cevisa, Karina Corrêa Contiero, e pela enfermeira responsável pela Vigilância Epidemiológica Municipal, Fernanda Lopes Menini, que participaram da CPI acompanhadas pelo procurador-geral do município, Guilherme Mônaco de Mello. De acordo com as profissionais, foram 247 casos registrados de setembro a dezembro de 2022 e 335 de janeiro a setembro de 2023 na unidade.

Elas salientaram que os responsáveis pelas UPAs administradas pela OSS (Organização Social de Saúde) Mahatma Gandhi, entre elas a da Vila Cristina, participaram de uma reunião em que foram apresentados os protocolos para casos de escorpionismo no dia 11 de julho, exatamente um mês antes de Jamilly dar entrada na unidade. A OSS passou a gerenciar a UPA no dia 1º de julho.

As representantes da Vigilância Municipal disseram ter apresentado aos gestores, na reunião, o plano regional para atendimento dos casos e também um checklist que norteia o profissional de saúde sobre como avaliar o paciente, os sintomas, classificação de risco e até mesmo a quantidade de ampolas do soro antiescorpiônico a ser aplicada, com um alerta para a gravidade dos casos em crianças de até 10 anos.

Elas disseram que as unidades recebem esses informativos e devem repassar para as equipes. O material foi encaminhado também posteriormente à reunião de 11 de julho por e-mail para as unidades. Cópias dessas comunicações também foram requisitadas pela CPI.

Soro antiescorpiônico – Em relação ao soro antiescorpiônico, a coordenadora explicou que o Cevisa recebe o material do GVE (Grupo de Vigilância Epidemiológica) do Estado e repassa para as duas unidades que são pontos estratégicos para esses casos na cidade, que são a UPA Vila Cristina e Santa Casa. Cada unidade fica com uma quantidade de soro suficiente para atendimento de até quatro casos e o Cevisa mantém o restante do estoque.

De acordo com a responsável pela vigilância, assim que ocorre a utilização das ampolas, a unidade deve informar o Cevisa por e-mail e o órgão promove a reposição imediata do insumo, mesmo em feriados e fins de semana. Em seguida, a vigilância municipal informa ao GVE, que repõe o estoque do município.

O Cevisa também promove o monitoramento dos insumos encaminhados às unidades, já que a equipe de enfermagem tem a obrigatoriedade de enviar uma planilha semanal com informações sobre a temperatura do soro na câmara fria e validade. A coordenadora complementou que a identificação do soro é bastante visível.

“Os gestores da unidade receberam treinamento acerca do tema e há um checklist muito claro a respeito dos procedimentos, mas até agora tudo indica que não foi seguido”, avaliou o presidente da CPI, vereador Acácio Godoy (PP). “Tivemos mais clareza da política de gestão do soro, da atuação técnica e com acompanhamento muito sério feito pelo município”.

A CPI também é composta pelos vereadores Gustavo Pompeo (Avante), relator, Cássio Luiz Barbosa (PL), o Cássio Fala Pira, Pedro Kawai (PSDB) e Paulo Camolesi (PDT). Os trabalhos contam com as assessorias da Procuradoria Legislativa e do Departamento Legislativo da Casa.

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