11 de julho de 2026
DRAMA EM ISRAEL

‘São histórias de crueldade que não consigo descrever’, diz israelense sobre o Hamas

Por André Thieful | andre.estevao@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Nadav Rudinik mora no norte de Israel com a esposa brasileira

Eram 6h30 de sábado, dia 7 de outubro, quando mísseis disparados pelo grupo terrorista Hamas começaram a cair sobre Israel.  A guerra foi declarada e, desde então, pelo menos três mil pessoas morreram. O governo de Israel fala em 1.300 mortos nos ataques, enquanto a contraofensiva israelita provocou 1.799 mortes.

Naquele dia, Nadav Rudinik estava nos arredores, mas dentro do Kibbutz Gal’ed, fundado pelo pai dele após o fim da 2ª Guerra Mundial, e onde mora com a esposa brasileira, Márcia, filho e mãe.

“É uma comunidade na qual você trabalha no que você quer e divide a renda. E não importa em que você trabalha, você recebe a mesma renda”, disse ao Jornal de Piracicaba, em entrevista realizada por aplicativo.

Ele explicou que o pai dele chegou em Israel em 1945. “Veio da [então] Checoslováquia. Era o único sobrevivente da família dele. Minha mãe veio da Holanda em 1951. Também ficou em campo de concentração”, explica.

Apesar da intensidade da guerra atual, diz que as famílias israelenses estão acostumadas com conflitos armados. “Meu pai participou da Guerra da Independência. Eu tinha um irmão mais velho, morreu na guerra de 1967. Eu e ele participamos da guera contra o Líbano. Essa é uma coisa que não é especial em Israel, é uma situação meio comum, para você entender como nós vivemos aqui”, explica.

No sábado (7) de manhã, Nadav recebeu a ligação da mãe dele. Ela perguntava se ele sabia o que estava acontecendo. Ele foi para casa e ligou a televisão.

 “A gente mora na parte norte de Israel, mas, na fronteira, onde ocorreu o ataque, tem bastante comunidade como a nossa. A maioria tem cerca de 600 adultos, mas com muitas crianças”, disse.

As imagens mostradas em emissoras de televisão e redes sociais mostram terroristas do Hamas atravessando a cerca e invadindo kibbutz do sul. “É muito fácil você passar pela cerca. Lá, as famílias têm, no máximo, uma pistola, e eles entraram e metralharam todo mundo. É inconcebível. São histórias de crueldade que não dá para descrever, mataram os pais e as crianças. É muito difícil para todos nós.”

O Kibbutz onde Nadav mora fica a cerca de 250 quilômetros do sul, mas, próximo ao Líbano, berço de outro grupo terrorista: o Hezbollah.

 “Tem que ver também se o Hezbollá vai entrar no conflito. É muito difícil saber como isso vai se resolver. A gente espera que o nosso governo saiba resolver a situação dos sequestrados, e trazê-los para casa. Acho que diferente dos conflitos que já enfrentamos nos últimos anos, esse me parece que vai ser muito pior para ambos lados”.

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