08 de julho de 2026
EMBATE

Construção de usina em Fortaleza pode derrubar internet no Brasil

Por Da Redação | Jornal de Piracicaba
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Cabos partem de Portugal e da África e chegam ao Brasil

A Praia do Futuro, icônico destino turístico em Fortaleza, enfrenta um embate crucial e inesperado. Sob as águas cristalinas, a disputa envolve a instalação de uma usina de dessalinização, que visa aumentar o fornecimento de água potável para os cearenses, e a rede de cabos submarinos responsável pela conexão de internet do Brasil com o mundo.

O governo estadual do Ceará defende a construção da usina de dessalinização, que promete elevar a oferta de água em 12% na região metropolitana de Fortaleza. O projeto, liderado pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e vencido pelo Consórcio Águas de Fortaleza, está orçado em R$ 3,2 bilhões. No entanto, as empresas de telecomunicações alertam para um potencial risco significativo.

Fortaleza tornou-se o ponto de entrada dos cabos de fibra ótica europeus no Brasil, devido à sua localização estratégica, encurtando a distância até a Europa em cerca de seis mil quilômetros. Estes cabos são fundamentais para o funcionamento da internet no país, representando 99% do tráfego de dados, segundo a Anatel. O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, enfatizou a importância de Fortaleza como ponto de interconexão com o mundo.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) emitiu uma recomendação contrária à usina de dessalinização, temendo que a sua instalação possa resultar no rompimento dos cabos submarinos, levando o país inteiro a ficar offline ou com uma conexão extremamente lenta. Essa recomendação atrasou o projeto em pelo menos seis meses, inicialmente previsto para operar em 2025.

Para contornar a questão, a Cagece ampliou a distância entre a usina e os cabos submarinos, investindo cerca de R$ 35 a 40 milhões em alterações no projeto. A empresa afirma que, conforme a configuração atual, não há risco para a integridade dos cabos. A situação permanece em um impasse, com a Cagece aguardando uma revisão da recomendação da Anatel. Enquanto a população anseia por água potável, o país teme perder sua conexão de alta velocidade com o mundo, destacando o delicado equilíbrio entre desenvolvimento e infraestrutura crítica.

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