O sonho de atuar em uma equipe de vôlei na Europa pode ser tornar realidade para o líbero João Oliveira Laranjeira, o Lara, de 17 anos. O jovem foi para a França a fim de fazer um intercâmbio cultural de um ano, mas espera que, neste período, possa encontrar um clube interessado em seu voleibol.
Lara chegou ao velho continente há cerca de duas semanas, por meio de um processo seletivo do Rotary Piracicaba. O jovem está morando na casa de uma família francesa, na pequena cidade de Fécamp, de aproximadamente 20 mil habitantes, que fica no litoral norte do país, na região da Normandia.
Ele contou que fez a inscrição no Rotary em agosto de 2022 e embarcou em agosto de 2023. “Foi um ano de processo seletivo meio rigoroso para escolha de países; um ano de orientação, de treinamento”, lembra. “Foi bem cansativo, com muitos documentos; é muito burocrático; para correr atrás tem de ter organização”, ensina.
Apesar de sua estada ser curta na França, ele quer pavimentar os contatos para, quem sabe, arrumar um time e ficar por lá. “Vim para estudar e jogar. Ainda não tenho um time, mas estou correndo atrás com o pessoal do Rotary, com o meu oficial, para a gente organizar essa liberação para eu jogar esse esporte que eu amo aqui”, explicou.
Após duas semanas, Lara ainda está em fase de adaptação aos costumes franceses, mas pretende se ambientar logo. “Nesse ano, quero abrir oportunidade, abrir caminhos para que eu tenha opções lá na frente para jogar aqui. Realmente, é um sonho. Tive a oportunidade de estar aqui e agora quero mais”, contou o jogador.
Na aprazível Fécamp, o jovem piracicabano tem como meta, além do esporte, os estudos. Lá, ele já está estudando em um colégio regular, o equivalente ao segundo ano do ensino médio do Brasil. Lara pretende, depois, validar esses estudos aqui no Brasil a fim de terminar o ensino médio como todos os jovens fazem normalmente.
As maiores dificuldades nesses primeiros dias, conta, é o idioma. “É um pouco estranho não ter ninguém que fale a minha língua. É diferente”, reconhece. Sobre a saudade, ele disse que “dá para segurar um pouco”. “Mas eu sei que esse ano eles vão me fazer muita falta: minha mãe, o meu pai, meus amigos. Vai ser um pouco difícil nesse quesito”.
Ele revelou também que ainda não se sente totalmente à vontade na casa “dos pais franceses”, mas acredita que seja questão de tempo para ficar bem ambientado àqueles que o receberam. “É desconfortável morar na casa de alguém que eu não conhecia antes. Mas é um intercâmbio cultural”, declarou.
A CARREIRA
Lara começou no vôlei com 15 anos, ou seja, há dois anos, depois de se aventurar em outros esportes, como rugby, futebol e natação. Ele começou a atuar pelo Clube Atlético Piracicabano, mas por volta de julho do ano passado, se juntou ao técnico Lademir Carraro, o Lade, no Caldeirão, time do projeto social do vôlei piracicabano, onde ficou até seguir para a França.